Como e porque fui parar na NHK

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Vou aproveitar o blog para fazer um pouco de auto-propaganda, mas ao menos será algo meio intimista.

Comecei a trabalhar em novembro da NHK World Radio como tradutor e locutor de notícias. O trabalho é literalmente esse, chego lá, traduzo as últimas notícias e corro para o estúdio. Atuo no noticiário gravado às 21h (horário do Japão) de segunda-feira, transmitido no dia seguinte às 5:30 da manhã, e no noticiário de terça-feira, ao vivo às 18:00.

Eu sempre quis trabalhar com tradução (tanto que tentei concurso de tradutor juramentado de japonês em 2011, que não deu muito certo), mas locução nunca fez parte dos meus planos. No final das contas está se mostrando umas dos, senão o trabalho mais interessante que já fiz. Desde o primeiro ano do curso de Direito estagiei em escritórios de advocacia, e tirando alguns meses em que trabalhei como tutor de português na Universidade Soka, o meio do Direito, o meio acadêmico, escritórios e fóruns (Fori?) foi o que sempre conheci.

Decidi tentar o processo seletivo por recomendação de um amigo, somado ao fato de que recebi a chamada de candidatos no newsletter da Todai, que era bem explícito em dizer que não era preciso experiência. Se o trabalho parecia interessante e uma boa mudança de ambiente, porque não tentar?

Esse ambiente da mídia, escritórios enormes, estúdios, receber notícias com pouco mais de uma hora para traduzir e ainda transmitir tem sido uma ótima mudança. Não vou me fazer de inocente, eu mal comecei e não posso garantir que não é deslumbramento de iniciante. Mesmo assim, o fato de ter excelentes colegas e amigos no trabalho me dá boas expectativas para o futuro.

Também existe uma satisfação interna e meio nostálgica que vem da minha adolescência. Nos tempos em que a internet ainda era limitada e lenta, meu contato com o Japão acontecia principalmente pela TV a cabo, e justamente pela NHK World. Confesso que na época achava em geral bastante chato, afinal, uma pessoa de 14, 15 anos não quer assistir noticiários (que compunham boa parte da grade horário), então tinha que me contentar com Pythagora Switch, tentar acordar cedo no domingo para assistir Taiga Dorama ou ainda assistir o Kohaku uma vez no ano. De qualquer forma, a NHK sempre foi uma das poucas ligações que eu tinha com o “Japão real”, então ela sempre fez parte do meu imaginário, e nesse sentido trabalhar lá não deixa de passar um enorme sentimento de realização.

Acredito que Fuurinkazan foi o Taiga Dorama que mais assisti 

Acredito que Fuurinkazan foi o Taiga Dorama que mais assisti

Como bom jurista, também me interesso por saber o que é a NHK. NHK é abreviação de Nippon Housou Kyoukai (日本放送協会), ou seja, Companhia de Radiofusão do Japão, um serviço público de rádio e televisão. É uma categoria especial de pessoa jurídica independente regulada e criada pela Lei de Radiofusão, financiada por uma tarifa que deve ser, via de regra, obrigatoriamente paga por todo mundo que possui televisão ou rádio (aparentemente hoje de todos os detentores de aparelhos obrigados a pagar a tarifa, apenas 75% o fazem). São cerca de 13.000 ienes anuais pelo serviço terrestre e 24 mil pelo serviço terrestre e via satélite. A lei não define as punições para quem não pagar, e sei que existe ações judiciais que questionam a questão, mas confesso que não me aprofundei (ainda) no tema. Se tivesse algum administrativista no Japão, seria interessante pesquisar a natureza jurídica dessa tarifa (imagino que no vocabulário jurídico brasileiro é tarifa, e não taxa), mas não vou me alongar nessas questões jurídicas, ao menos não nesse post.

Além disso, o orçamento da NHK é definido pelo Parlamente Japonês, que também indica os 12 membros da Comissão Administrativa que supervisiona a empresa, que é administrada pelo Presidente, Vice-Presidente e mais 10 diretores. O Chefe da Comissão é o equivalente ao CEO, enquanto o Presidente é o COO.

Para quem tiver interesse, os programas podem ser ouvidos no seguinte site, na sessão Radio/Podcast: http://www3.nhk.or.jp/nhkworld/portuguese/top/

Além dos noticiários há também programas de variedade e curso de japonês.

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2 Respostas para “Como e porque fui parar na NHK

  1. Eduardo, adorei seu blog! Estou pensando em tentar a bolsa de graduação pelo MEXT em 2015, mas tenho uma dúvida: Como estudante internacional, consigo fazer estágio no Japão? Porque no Brasil a experiencia na área importa para o primeiro emprego, ne..

    • Kelly, depende muito da área. Na graduação creio que não, é extremamente incomum fazer estágios no Japão. Na pós existem algumas internships especialmente nas engenharias, geralmente de curta duração. Aqui é assim pois no Japão não importa experiência no primeiro emprego, ou melhor, se não tiver experiência chega a ser melhor, gostam que as pessoas cheguem como tábulas rasas para aprender tudo dentro da companhia.

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