Curso Online de Japonês: O Desafio de Erin (エリンが挑戦) – Primeiras Impressões

erin

Semana passada comecei a testar o curso online de nihongo “Desafio de Erin” (https://www.erin.ne.jp/), promovido pela Japan Foundation. Pelo nível do curso não acho que tenha muito a aprender em matéria de conteúdo, mas não resisto a inovações no estudo de idiomas. Se puder incorporar aos meus próprios métodos ou se puder recomendar e ajudar outros estudantes, já vale o esforço (e no final das contas, revisar o básico e intermediário não faz mal à ninguém). Acabei de começar, fiz apenas a primeira lição, então é o suficiente apenas para primeiras impressões.

Em primeiro lugar o curso se mostra bastante acessível por poder ser cursado em versão bilingue entre japonês e outros sete idiomas (inclusive português). Tem ainda a vantagem de poder ser cursado apenas em japonês, bom para quem tem um nível mais avançado ou está tentando se livrar da dependência de outra língua intermediária no estudo do japonês. Além disso, é mais do que um curso de idioma, contendo muitos aspectos culturais e sociais.

A página inicial pode parecer meio bagunçada bem como a própria estrutura das lições, mas, considerando que revistas, livros e sites japoneses costumam ter essa aparência de bagunça ( em geral pela quantidade de informação e cores), já serve para o estudante aprender a lidar com interfaces tipicamente japonesas.

Pois bem, são 25 aulas que seguem a seguinte estrutura (me baseando apenas na aula 1, talvez haja variações) [a propósito, vou usar os termos do curso em português pois suponho que muita gente vá usar a versão bilingue]:

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1) Diálogo básico: contém um vídeo (com legendas em nihongo, kana, romanji e tradução), script, mangá (repetição do vídeo e de forma bem útil introduz alguma onomatopéia em japonês) e exercícios de revisão.

O curso começa no padrão de outros cursos, あいさつ (apresentação), porém, diferente da GRANDE maioria, esse início tem um ponto extremamente positivo, que é uma apresentação realmente ao estilo japonês. Esqueçam aqueles “Watashi no namae wa …”, “watashi wa….. desu” (sempre falo para quem está começando sobre como essas construções soam extremamente não naturais aos japoneses), a Erin se apresenta como um japonês se apresentaria: ” Erin desu”, sem exageros, sem pronomes que na prática não se usam. O que isso mostra sobre o curso? Que é voltado a uma comunicação real, é voltado às palavras e expressões que um nativo utilizaria.

Outra coisa que observo desse diálogo básico é que o curso pode até ser para iniciantes, mas não para quem está tendo o primeiro contato com a língua. Não há explicações de gramática, não há explicações sobre as flexões típicas do nihongo falado. O curso pressupõe um conhecimento prévio de hiragana e katakana e alguma base da gramática básica. Quem já estuda há alguns meses e quer sentir como é o japonês de verdade sem ser esmagado por um conteúdo muito complexo pode achar um bom aliado nesse curso.

Dito isso, os exercício de revisão são bastante chatos, especialmente pois o input do hiragana é por meio de um teclado utilizado com o mouse.

2) Diálogo Avançado: vídeo, script e exercícios de revisão

Novamente o curso se mostra bem realista, uma conversa informal, jovem, com todas as flexões típicas da linguagem falada, palavras, expressões e comportamentos que você pode de fato encontrar na vida real. Nada daquelas apresentações nada naturais ou diálogos travados.

3) Frases e expressões importantes: novamente um vídeo, explicações e exemplos das frases usadas, mais exemplos em vídeo e exercícios

Depois da introdução puramente intuitiva dos temas da aula, esse ponto trás a explicação mais mastigada, explica a estrutura da frase, chega a ser repetitivo, mas é bom para memorização.

4) O que é isto: apresenta algumas fotos e o estudante tem que adivinhar o que é. Pelo visto o objeto da semana é sempre algo bem japonês, que quem nunca foi ao Japão talvez não reconheça. É seguido por um vídeo explicativo.

Ao menos nessa aula 1, achei a escolha muito interessante, nada daqueles clichês de sushi, hashi, geisha, e sim algo realmente típico do dia a dia do Japão atual. [spoiler] O objeto apresentado de vários ângulos é 自転車置き場, algo muito comum no Japão, que se usa todo dia, mas que certamente não se vê muito no Brasil, especialmente o modelo mostrado nas fotos.

5) Vamos ver: vídeo explicativo que mostra em detalhes algum momento do cotidiano japonês.  Traz explicações bem detalhadas de cada momento do vídeo a partir de fotos e por fim traz um quiz cultural bem difícil, atribuindo rankings como faixa marrom, preta e mestre.

Na aula 1, por exemplo, mostra a manhã de uma estudante de ensino médio do momento que acorda até sair para a aula, focando em detalhes bacanas como a decoração do quarto, tipo de café da manhã e etc. Outra oportunidade em que o curso introduz vocabulários básicos do dia-a-dia

6) Vamos tentar: mais um introdução por meio de vídeo de algo típico do dia-a-dia japonês. No caso da aula 1 é um vídeo explicando e ensinando a troca de cartões (meishi). Não canso de ressaltar que por usar uma linguagem realista, o curso ensina palavras que as vezes passam desapercebidas em muitos cursos. Por exemplo 名刺交換 não é algo que se vê no básico dos livros didáticos, mas 交換 é uma palavra que se usa desde o primeiro contato com os japoneses, (na própria troca de contatos por celular, por exemplo). Então, novamente ponto positivo para esse curso.

7) Aumentando vocabulário:  esse me parece o exercício mais “padrão” do curso, nada que não se veja em outros cursos. Uma imagem (sala de aula, por exemplo) e o nome de cada objeto.

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Portanto, dos pontos positivos que vejo nesse curso é o uso de um nihongo real, que soa natural aos japoneses, enfim, o nihongo do nihonjin. O conteúdo das aulas é interessante e variado, o site é caprichado em imagens e funcionalidades e a divisão de capítulos por tipo de comunicação (apresentação, fazendo pedidos, indicando coisas) facilita para quem não quer fazer tudo, mas pretende apenas suprir uma ou outra deficiência no idioma. Outro ponto positivo é a possibilidade de não usar o sistema bilingue, cursando totalmente em nihongo, que sempre considerei como o passo definitivo no aprendizado: ser capaz de aprender um idioma sem idiomas intermediários.

Como pontos negativos, acho que existe uma indefinição sobre o nível do curso, em alguns pontos ele é absurdamente básico, em outros pontos os diálogos são tão realistas que claramente é difícil para quem ainda está começando. Ou seja, para apreciar ao máximo os vídeos e conteúdos o estudante acaba tendo que estar em tal nível que certos exercícios e certas explicações são tão simples que se tornam enfadonhas. Ou seja, me pareceu meio desequilibrado no nível de dificuldade.

Como esse review se baseia totalmente na aula 1, muita coisa pode mudar para frente, então vou atualizando esse post ou criando outros, dependendo do quanto eu achar necessário revisar minhas próprias opiniões.

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2 Respostas para “Curso Online de Japonês: O Desafio de Erin (エリンが挑戦) – Primeiras Impressões

  1. Eu ja tinha dado uma olhada nesse desafio de erin mas nunca tinha feito nenhuma aula nele, mas esa semana decidi iniciar os estudos nele pq antes eu me foquei mais no kanji que é infinitamente mais dificil do que gramatica e os kanas e é necesario dizer que nunca se realmente domina os kanji sempre se esquece algo, t+

    • Kanji é um negócio que precisa de prática diária, e a melhor prática é justamente ler e ver as coisas do dia a dia…. em kanji.

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