O discurso da direita em Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)

shingeki

Momento teoria da conspiração no blog !

Meses atrás ouvi falar desse anime/manga Shingeki no Kyojin, acho que por um artigo falando sobre a nova mania no Japão, que era tirar fotos em perspectiva parecendo que o fotografado estava lutando com um gigante. Não dei atenção, faz muito que não acompanho a cena manga/animesca. Continuei vendo muitas muitas notícias sobre o sucesso da obra, continuei não dando atenção. Só quando ouvi falar de algumas polêmicas políticas decidi dar uma olhada nessa série.

Li até agora apenas o primeiro volume e uma rápida olhada no restante da trama, então minha opinião pode estar completamente equivocada, pode vir aí uma reviravolta com mensagens de tolerância, mas a minha impressão é que existe uma tentativa consciente de vender um discurso extremamente afinado com a extrema-direita japonesa. Se existe uma vontade política ou simplesmente reacionária e individual do autor, não sei, de qualquer forma, vamos aos paralelos entre o discurso político e o discurso de SnK:

1) Slogans

Assim como o 2º governo de Shinzo Abe é marcado por slogans (já foi assim no 1º), essa série também parece usar bastante da técnica de uma mensagem repetitiva que dita suas intenções (e doutrinações) desde o início. O próprio manga começa com com a ideia do medo de ser controlado pelo outro (esse outro diferente, desumanizado), a humilhação da humanidade presa numa gaiola  ( その日人類は思い出した ヤツら支配されていた恐怖を・・・ 鳥籠の中に囚われていた屈辱を・・・・・ ) . Isso me lembra um pouco o lema do governo Abe, 日本を、取り戻す, a idéia de recuperar o Japão, que pode ser lida como uma recuperação econômica mas também com uma recuperação em sentido de reputação, e quem sabe inclusive de recuperação do território. Talvez esteja forçando a interpretação, mas a alegoria me parece muito próxima dessa ideia do medo do Japão de ter de submeter a outros países como China, e da questão do Japão ser importante economicamente no mundo, mas em matéria de influência política estar muito restrito ao próprio território, sua gaiola.

2) Medo de invasão e dominação como justificação militarista

O principais temas levantados por SnK giram em torno desse medo de invasão por parte dos gigantes, e a dominação decorrente dessa presença, uma dominação que, diga-se de passagem, não se refere a um governo de ocupação, mas um controle de extermínio. Tudo isso é apresentado sempre em contraponto aos tais 100 anos de paz, e como, tendo se acomodado, a raça humana foi pega desprevenida pelo novo ataque. A situação bate exatamente com o discurso militarista da direita japonesa. Esse discurso não é exclusividade da direita em termos mundiais, mas no Japão se identifica muito com uma ala específica da política, que alega que o Japão se acomodou com as últimas décadas de paz, com esse “muro” que é a proteção americana, e não estaria pronto para se defender apropriadamente contra ataques da China e Coreias.

3)  超大型巨人 (Gigante gigantão) como China e demais gigantes como outros países asiáticos?

Porque tantos dentes?

Porque tantos dentes?

A existência de um gigante maior que os outros, que funciona como uma força superior que mostra a fragilidade humana e abre caminho para outros gigantes é muito semelhante a visão japonesa com relação à China. É realmente uma força maior na Asia, que depois de décadas sem representar ameaça ao Japão o ultrapassou economicamente e tem se mostrado mais agressiva diplomaticamente, sabendo que pode fazer exigências que estão além do pode de recusa japonês. Aqui é bem relevante lembrar que o Japão adota uma postura rígida com a China pois pensa que, cedendo à esse rival maior, ficaria exposto a outros países, semelhante ao Gigantão dando um chute no muro do Japão e mostrando que todos podem avançar sobre o que restou.

4) Seria Wall-Maria o arquipélago Senkaku e demais territórios cuja soberania japonesa vem sendo questionada?

A questão do ponto anterior, se verdadeira, leva a outra possibilidade, de alegoria dos diversos muros, em especial o Wall Maria, representando os diversos territórios que compõe o Japão. Sendo o Japão um arquipélago, tem territórios próximos do centro, como as ilhas Honshu, Shikoku, Hokkaido e Kyushuu, e territórios distantes como Senkaku, Okinawa e Takeshima e etc.  Durante algum tempo no pós-guerra a questão da disputa dos territórios distantes foi esfriada, mas voltou com muita força na disputa entre China e Japão pelas ilhas Senkaku. Me parece que o ataque ao Wall Maria pela gigante que supostamente representa a China tem semelhança grande com tal disputa, e abriria precedente que daria força a outros países com problemas territoriais com o Japão, os gigantes menores como a Coreia em busca de Takeshima. As constantes invasões de navios chineses no mar territorial de Okinawa lembra ainda mais as incursões dos Kyojin em torno dos muros de SnK.

5) Discurso pacifista atual retratado com desprezo

Sendo um manga shonen bem padrão, o personagem principal, como heroi, tem representa o discurso legítimo da série e possui a autoridade moral sobre os demais personagens. Talvez os outros pontos soem muito como uma teoria de conspiração, mas nesse aqui o discurso de direita é explícito, o personagem principal abertamente crítica a falta de um exército de verdade, reprova moralmente aqueles que não apoiam os militares. Em certa cena um senhor questiona porque desperdiçam impostos com o exército, e o personagem principal arremessa uma garrafa em sua cabeça. Me chamou a atenção pois a questão do desperdício de impostos é um argumento tradicional na oposição à expansão da Força de Auto-Defesa do Japão.

6) Valorização do sacrifício pela nação

Em uma das cenas do manga, o tal exército de investigação 調査兵団, ao retornar com severas baixas, é abordado por uma mãe chorosa que pergunta sobre seu filho. Entretanto, não lamenta a morte do filho de forma absoluta, mas afirma que se ele houver sido útil seria um alívio ou algo do gênero. Esse tipo de reação de valorização do sacrifício dos soldados, ou de crítica moral àqueles que não estão dispostos a se sacrificar, parece recorrente na série. Nem preciso dizer que é semelhante a doutrinação do governo Japonês pré-segunda guerra mundial.

7) Crítica ao “discurso derrotista”

Existe uma oposição entre os personagens que tem esperança na vitória e aqueles que acreditam que os seres humanos não tem qualquer chance. Se não me engano a expressão “derrotista” foi usada mais de uma vez, um vocábulo que hoje em dia é bastante utilizado pelos revisionistas que não aceitam as críticas referente à participação do japão na segunda guerra.

8) Outro como diferente ou Outro como igual mas diferente?

Por fim, combinado a todos os fatores que apontei, me parece que a ideia do “outro” (que aqui pode ser vista como estrangeiro, inclusive) é retratada de forma bastante negativa, e, especialmente, desumanizada. Os gigantes, pessoas de fora, são agressivos, não estão ali para negociar, não existe uma opção diplomática, não existe possibilidade de empatia. No Bakumatsu o governo também tentou passar essa ideia dos estrangeiros, ao ponto que a próprio cultura da época, notadamente a pintura, retrata estrangeiros como demônios. Não consigo deixar de pensar que existe um paralelo entre as situações. O fato do personagem principal se transformar em gigante pode, entretanto, vir a significar algo diferente, algo no sentido de aproximação, mas pode também ser apenas uma forma de dizer “sim, somos todos iguais, uma mesma espécie, mas mesmo os iguais as vezes são diferentes demais”.

Bom, a) se essas semelhanças existem mesmo; b) se existiu pressão política sobre essa obra; c) se a popularidade é natural ou se existe algum incentivo oculto; d) se é apenas de um autor reacionário; e)  se é apenas de um autor que nem sabe que é reacionário, e que, como o público japonês, é extremamente despolitizado e não sabe a que interesses está servindo,; enfim, nada disso provavelmente será explicado, então nos resta conjecturar sobre o significado da obra. Acredito que eventualmente ela vai, assim como a maioria dos animes longos, assumir ares de uma complexidade que nunca possuiu, vai fugir desses temas, vai virar uma bagunça e vai morrer, assim como esse post, mas caso isso não aconteça, caso ela assuma uma postura mais clara nisso tudo, aí sim vale a pena rever, rediscutir e ampliar as opiniões aqui. A questão é que achei o manga tão ruim que não pretendo acompanhar de perto, ou ao menos não nas fontes primárias (anime/manga), então, para quem tem mais paciência, fiquem atentos.

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69 Respostas para “O discurso da direita em Shingeki no Kyojin (Attack on Titan)

    • Interessante. Com certeza existe uma multiplicidade de interpretações e intenções simbólicas na obra. Acredito que a questão da infância não anula outras interpretações. Seria plenamente possível considerar que ele pode ter desenvolvido uma afinidade com o discurso militarista do Japão por ter se identificado pessoalmente em sua fraqueza com a suposta fraqueza do japão pregada por essa ala política.

      Agora, certamente não podemos ignorar que a simbologia consciente seja realmente a infância dele, e essa tenha sido a intenção primordial. As demais interpretações, que de repente o próprio autor não considerou, já podiam estar permeadas na consciência política dele.

  1. Excelente, tenho acompanhado o manga e também achei elementos políticos nele, mas pensei que era normal (muito comum temas guerra em manga e, claro, o autor vai ser influenciado por suas vivências e estudos). Mas, a comparação do Gigante Colossal com a China e os demais com outros países asiáticos nem me passou pela cabeça.

    Não sei você já viu, mas a própria muralha é feita de titans o que colabora com a ideia de dependência dos EUA (outro gigante defendendo eles). Não vou me desculpar pelo spoiler, pois acho muita bobagem, mas vale uma boa conversa.

    • Nossa, não sabia essa coisa do muro (não ligo para spoilers, especialmente não com relação a algo que não gosto muito haha), mas essa alegoria com os EUA é realmente bem pertinente. Vou inclusive além do fato de ser outro gigante defendendo. Um muro de gigantes bate muito com a ideia dos EUA, que defende o Japão mas não de forma ativa, e por meio de um pacto de segurança rígido, que engessa o tipo de defesa oferecido. A ideia do muro bate bem com a falta de flexibilidade na defesa oferecida pelos EUA, e ainda lembra muito a ideia do guarda-chuva nuclear:

      http://pt.wikipedia.org/wiki/Guarda-chuva_nuclear

  2. Saudações

    Saudações

    Rapaz, estas hiperligações que fizestes do anime em análise com o Japão atual foram deveras proveitosas.
    Lhe parabenizo pelo trabalho, humildemente.

    Permita-me perguntar…
    De onde veio a inspiração para tanto? Unicamente no fato de teres ouvido falar do anime ou teria algo à mais junto?

    Até mais!

    • Que bom que gostou, obrigado !

      A inspiração foi realmente por ter ouvido falar da polêmica em torno do anime. Como pesquiso muito a postura política pré e pós-guerra do Japão não foi difícil bater o olho e começar a ligar os pontos.

      Abraços

  3. Muitos desses paralelos são meio não intencionais e recorrentes, apenas acontece de se encaixarem na situação e como o Iseyama diz que pensou mesmo em se possível fazer algo que motivasse o povo que lê, então…

    Me permita acrescentar algo que você deixou passar:

    Coletivismo.

    Você deve ter notado que em Shingeki não existe heróismo, o mangá é imperdoável com tentativas de heroísmo. Todas sem exceção são massacradas sem dó.
    Isso poderia ser apontado nessa sua teoria como algo no sentido de que não adianta trocarem de ministro, novamente, não é um herói solitário que vai salvar a situação. Até agora em um capítulo recente só teve uma única tentativa de heroísmo que não terminou em absoluto massacre e foi parcialmente recompensado com grandes perdas, e só não terminou em perda total porque veio ajuda.
    As coisas só dão certo quando agem em grupo, um pelo outro e pelo grupo. Então tem essa mensagem de que o povo tem que se unir e lutar junto, só assim podem conseguir qualquer resultado.

    • Concordo que muito (a maioria) é não intencional. Minha ideia na verdade é mostrar em um próximo post que a postura do Isayama e o sucesso decorre de um momento político favorável e da mentalidade que tem se tornado comum nessa geração. Ou seja, creio que vou seguir nesse tema com a linha de que ele a obra, o autor e seus fãs são produtos de uma conjuntura e, como é natural na indústria cultural, ao mesmo que tempo que são produtos ajudam a reproduzir essa mentalidade com a expressão inconsciente desses valores nesse tipo de obra. Em oposição a isso colocarei Gen e o estúdio Ghibli como reprodutores conscientes de outro lado do espectro político.

      Dito isso, muito boa a questão que você levantou. Acrescento ainda o seguinte, ainda que não exista espaço para glória individual, existe para a punição ou culpabilização do indivíduo, aos moldes pré-guerra. Ou seja, o seu sacrifício é obrigação e não merece elogios, mas deixar de se sacrificar é individualmente considerado como vergonhoso.

  4. Quando eu comentei com o Eduardo sobre possíveis paralelos entre SnK e o Japão atual, tinha em mente que não necessariamente o autor ficou bolando metáforas no chuveiro para representar aspectos específicos da geopolítica nacional. Mas a obra capta o zeitgeist da época. Mesmo de modo inconsciente, os autores colocam um pouco do seu tempo e do seu mindset do seu povo em suas criações, as vezes sem nem notar o processo. Por isso compartilho das opiniões deste texto.

    • Concordo com você sobre ser uma obra que capta o zeitgeist. Na verdade, entre hoje e amanhã já vou publicar um texto que chega numa conclusão parecida (já está pronto, só estou achando a figurinhas haha), a abordagem de teoria da conspiração foi só para chamar a atenção mesmo 🙂

  5. E pensando um pouco aqui… É bem engraçado o anime reafirmar o valor do coletivismo numa era onde está claro que o modelo empresarial japonês precisa de mais empreendedores e se adequar um pouco ao estilo “Vale do Silício” se quiser continuar relevante no setor da tecnologia nas próximas décadas. Todo o sistema educacional do Japão está sendo remodelado, aos poucos, nessa direção.
    Não deve ser fácil ser japonês.

    • Sim. Ao menos por enquanto não vou entrar nos porquês de achar que essa mentalidade da extrema direita é péssima para o Japão, mas esse é um dos pontos, prega um ideia velha como solução para uma era que exige respostas novas.

  6. Engraçado, eu sempre interpretei o contrário. Os gigantes seriam os atuais donos do capital, que governam a maior parte do mundo, deixando para o Estado apenas algumas poucas opções de ação, onde no fim os prejudicados sempre são apenas as pessoas pobres (residentes nas muralhas mais externas) enquanto os governantes vivem em palácios com fartura e luxo. Somando-se a isso temos a crítica à religião (seita das muralhas) que tenta manter o “rebanho” calmo e passivo mediante à condição imposta pelos Titãs.
    Não sei se expliquei direito, espero que tenha dado pra entender! ^^

    • Entendo a interpretação que você fez. Eu acredito que é coerente com a trama, e para falar a verdade, eu vejo muitas outras formas de analisar a trama de forma alegórica. A questão que penso, no entanto, é: essa interpretação é coerente com a realidade japonesa, com o perfil do autor? É nesse ponto que questiono sua análise. As questões de poder do capital, grandes corporações e etc não se coloca no Japão de forma tão comum como temos no Brasil. Tirando autores abertamente da esquerda, não existe essa crítica ao capital tão aberta. Some-se a isso o perfil do autor, formado em escola técnica de design (nada contra designers, mas o curso não oferece esse arcabouçou teórico sócio cultura crítico), que pelas entrevistas parecia sofrer bullying, parece meio alienado… Enfim, me parece mais alguém que repete o espírito de seu tempo do que um que questiona.

      Mas claro, são conjecturas, acho que todas as interpretações são válidas enquanto não temos mais informações concretas nas mãos.

  7. ALIÁS, no anime, a música de entrada tem sua letra em uma mistura de alemão e japonês. Tocando em acompanhamento a uma animação grandiosa, na qual vemos dezenas de pelotões de cavalaria partindo furiosos à batalha.
    Só mais um detalhe que, visto junto ao seu texto adiciona ainda mais à imagem fascista e altamente militarista que o discurso que entremeia a história do mangá passa ao leitor.

  8. Muito bom, só não entendi o porque você liga o militarismo com a direita. Não sei exatamente como é o esqueleto esquerda x direita no Japão, mas em geral, o militarismo é muito usado também pela esquerda, o comunismo e o nacional socialismo precisam de um estado forte e autoritário, usando os militares como forma de coerção.

      • Mas o alistamento não tem a ver com militarismo. Os EUA são uma nação fortemente militarista sem alistamento. Por outro lado países com governos de direita como Israel e Coréia do Sul também tem alistamento obrigatório, assim como foi comum com as ditaduras do século XX, com a Rússia Czarista… enfim, não é um bom critério.

    • Douglas, geralmente o militarismo como ideologia está mais ligado com a direita (Nacional Socialismo é extrema-direita). Faz parte também do arcabouço ideológico do Comunismo Stalinista e Maoista, mas geralmente não é parte da esquerda, seja ela liberal ou não. No caso do Japão, historicamente o militarismo é principal bandeira da extrema-direita, e um dos carros chefes mesmo da direita moderada. Aqui a bandeira do pacifismo, e especialmente a defesa incondicional da clausula constitucional de renúncia à guerra é carregada de forma mais extrema pelo Partido Comunista, mas em maior ou menor medida é defendida por todos que se encontram no espectro da esquerda japonesa. O Jimintou, partido mais poderosos do Japão (de direita) tem combatido a cláusula pacifista desde a década de 50.

      • Mas e a revolução tanto pregada por esses esquerdistas,ela é armada e não pacifista,podem não querer guerra com outras nações, mas os esquerdistas querem guerra com a sua própria nação….

  9. Cara, esse texto é genial ! Adoro essas interconexões, que apesar de não serem necessariamente intencionais, podem vir a refletir o identidades e pensamentos do coletivo ao qual pertence o autor. Eu assisti apenas a primeira temporada do anime, e uma interpretação que tive é a que aparentemente existe uma elite “dentro e fora” da muralha que se beneficia com o medo dos titãs, porque o que dá pra interpretar até o momento é que os gigantes são criações humanas, talvez forjadas como arma de guerra, então quem sabe a história possa enveredar dessa ode ao militarismo à uma crítica aos efeitos da guerra, não que elas sejam necessariamente excludentes, mas me parece que esse tom de mostrar os “horrores” da guerra é bem presente nas produções culturais japonesas as costumo consumir (games e mangás). Sobre um tópico específico, o gênero de Mechas, robôs gigantes e afins, me parece, principalmente na série gundam, e outras de forma explícita como o code geass, que elas refletem um desejo de reaver o poderio militar convencional perdido depois da segunda guerra através do desenvolvimento tecnológico – e de uma geração de “new types”, super humanos, que comandariam máquinas mais poderosas que exércitos inteiros, anulando inclusive o poder atômico de grandes potências.

    • Recentemente eu assisti a primeira temporada inteira e também fiquei com essa impressão de que ele estava mudando bastante a linha, ainda que ele mantenha bastante um discurso de que sacrifícios precisam ser feitos. Veja que a maioria dos oficiais não se preocupam em sacrificar civis e soldados. Tudo vai depender de como o autor vai tratar esses personagens. Serão eles heróis ou vilões no futuro?

      Sobre Gundam, eu discordo (mas eu não conheço bem os novos Gundam, mas vi todos da Universal Century). Lá o horror da guerra prevalece, por mais que os heróis lutem e aceitem a condição de soldados, não havia uma glorificação disso. O Amuro, por exemplo, sempre teve dificuldade em se tornar soldado e depois de matar a Lala não consegue nem ir para o espaço de novo com o trauma. A questão dos new types para mim está mais relacionada ao medo que os poderes estabelecidos tem de poderes emergentes. Colonizadores com medo do fortalecimento dos colonizados. Também me parece ter um pouco a ver com as consequências de guerras eugênicas, algo que era mais trabalhado em sci-fi antigamente.

      Além disso, na questão do poder atômico, ao menos nos Gundam clássicos eles ressaltam que não importa a força do Gundam ou dos pilotos, se qualquer um dos lados decidir usar sua força atômica, nada pode ser feito, e isso é em última instância uma decisão em prol do jogo político e não do bem estar das pessoas. Além disso os Gundams eram muito fortes, decisivos até, mas nada perto do exagero que se tornou Wing, Seed ou 00. Senão me engano há ameaças de uso de armas nucleares em todas as séries antigas, e o efetivo uso em 083 e Zeta, e nenhum Gundam consegue parar isso.

      Eu baseio essa opinião especialmente no fato de que nas diversas séries nunca existe uma potência que seja retratada de forma positiva. Tanto a Federação quanto Zeon aparecem como forças antagonistas, mas nem boas nem ruins. Se em 079 a imagem de Zeon era desfavorável, em Zeta a Federação que aparece como “má”. Para mim isso é importante porque de fato a série as vezes valoriza os militares e os feitos heróicos de guerra, mas nunca de uma forma patriótica, e nunca elogiando as instituições políticas ou militares. Bem diferente de Shingeki, que exalta as instituições e os sacrifícios em nome dessas insituições. Pode até existir uma crítica, mas uma crítica essencialmente a corrupção, à elite política, mas até o momento ele parece sugerir que os militares são mais honestos e podem por ordem na casa (parece aquilo que se nas manifestações do Brasil, atualmente). Em Gundam, por outro lado, não existe qualquer apologia nesse sentido, pelo contrário, eles são sempre golpistas.

      • Obrigado pela resposta, compartilho destas perspectivas com relação a série Gundam, gosto de pensar que quando foi lançada, ela deve ter se destacado por evitar um abordagem maniqueísta da temática bélica. Dá uma olhada em Code Geass, até por ser uma produção recente, talvez ele se encaixe no discurso militarista, principalmente ao apresentar um Estados Unidos opressor e imperialista e um Japão oprimido e “resistente”. Excelente Blog!

  10. realmente o anime não tem nada a ver com o política japonesa,o autor não trabalha pro governo,não há motivos pra ele fazer isso,eles estão presos,precisando de uma solução para a sua situação,com sempre o perigo de exterminação do lado,para gerar tensão e interesse do leitor,tem nada a ver com essas besteiras de alienar a população,o Japão não tem um governo de esquerda, do qual todos trabalham burramente pro governo…

    • Nem sempre aprovo todos os comentários, tem gente que fica muito sentida com alguns posts, é impressionante como as opiniões de um blog obscuro como o meu deixam certas pessoas inflamadas, mas volta e meia aprovo alguns assim para mostrar que tenho lidar com gente louca por aqui.

  11. I aí Edu!
    Sempre interessante ler o seu blog meu velho
    Também já ouço falar de Shingeki há tempos! Mas também não tinha Me interessado (apesar de gostar do gênero, principalmente se tiver um romance/drama no meio, e sempre tem hahuashsa), mas só agora com o seu post Me interessei de verdade por ele. E é incrível como tudo isso não só faz sentido, como vai de encontro ao que chegamos a conversar um pouco sobre a questão do ministro Abe estar tentando ”de qualquer jeito” reviver de fato o militarismo no Japão!
    Eu lembro que quando comentamos esse seu outro post, fui no geral contrário a sua opinião, pq Eu acho válido fortalecer o seu país e ter, digamos, ”sua própria força” para se ”afirmar” entre os.. ”gigantes” do mundo. Mas assumo que lendo esse post sobre Shingeki fiquei um pouco preocupado… ashusahusa
    Continuo achando válido a ideia de trazer de volta o exercito e tudo mais.. mas Se for pelo caminho certo, mesmo que forçando um pouco a barra pra conseguir aprovar o projeto, tudo bem, mas diria que os ideais que estão sendo afirmados segundo a sua linha de pensamento aqui são muito radicais pra se concordar com eles!

    Abraço

    • Dantarez, eu não discordo de se fortalecer o país para defendê-lo, o que eu oponho é tentar claramente criar condições para que o país se envolva em guerras ofensivas, em guerras de seus aliados, em comércio de armas…

  12. A obra realmente me parece ser de direita, mas eu discordo BASTANTE da sua visão política. Li, em um de seus comentários, que você acha o autor do manga alienado. Disse que o curso que ele fez não o forma politicamente. Bom, nas entrelinhas você disse que quem é de direita é alienado. Não vou iniciar um debate pois acredito que você não conseguiria fundamentar essa sua perspectiva. Na MINHA modesta opinião, alienados independem do espectro político em que se encontram. Eu posso dizer o mesmo sobre marxistas, que mesmo após 1 século de fracassos, mesmo após inúmeros economistas e filósofos refutarem todos os pensamentos de Marx, continuam acreditando nesse ideal. Eu não me simpatizo com militaristas, mas eu compreendo a mentalidade atual no Japão e concordo com eles. O país realmente se apequenou e deixou que a China tomasse as rédeas do continente, o que foi PÉSSIMO para o mundo inteiro. Eu sou mais da linha liberal-conservadora e acredito que o problema do Japão é tanto econômico (pois o país insiste na fórmula socio-democrata, gastando aos tufos com assistencialismo e sendo excessivamente protecionista) quanto político (é verdade, o Japão se sentiu desmoralizado desde a segunda guerra mundial e se acovardou. Não que o pensamento fascista que tinha fosse o correto, muito pelo contrário, mas isso não tem nada a ver com não ter soberania sobre o próprio território. E eles parecem estar acordando pra essa questão, pois com Obama e o partido Democrata americano não se pode confiar).

  13. Sem contar que o discurso pacifista foi adotado pela esquerda apenas recentemente e, claro, estrategicamente. Para ser mais preciso, a partir da guerra do Vietnã. A questão X é que a esquerda combateu a ação militarista da direita unicamente para favorecer…os militaristas de esquerda. Veja, é desonestidade intelectual você atribuir certos adjetivos a apenas um dos lados da moeda. A guerra é válida desde que seja a favor das suas vontades. Achei sua análise interessante, mas o seu julgamento é fraco, totalmente partidário. Nós não somos obrigados a ser imparciais, e você tem todo o direito de defender o seu ponto de vista, mas cegueira ideológica e desonestidade intelectual já são outros 500.

  14. Não me assusta que isso venha de um brasileiro, dizer que os japoneses são alienados politicamente, apenas pelo fato de que não concordam com o pensamento academicista brasileiro que é predominantemente esquerdista. Você parece ter um currículo extenso, se aprofundar mais em política me parece necessário, sair do básico ensinado nas nossas Universidades. Assim como você, também sou formado em uma universidade federal, só que no meu caso na Unifesp, tenho formação em Letras e estou me graduando em Ciências Atuariais, também pela Unifesp, e sei bem como funciona o direcionamento literário que temos dentro das instituições. Ainda bem que resolvi ler por conta própria, mesmo que desagradando os doutores professores e criando uma certo clima entre meus colegas. Não vim aqui para afirmar que eu estou correto e você errado, pois eu sou de direita e você, pelo que me parece, não. Já morei no Japão e posso constatar que o povo japonês realmente não se interessa tanto por política, mas não seria pretensioso de afirmar que eles estão errados em sua maneira de pensar, pois o país é bem mais evoluído que o Brasil, mesmo o Brasil tendo essa classe intelectual tão “iluminada” e esquerdista (foi sarcasmo). Se o povo japonês não se interessa por política, acredito que seja pelo fato de que eles estão mais preocupados em tocar suas próprias vidas e colaborar com as pessoas com quem convivem, e ter um sistema parlamentarista ajuda muito, pois por qualquer deslize o ministro cai. Tenho uma série de críticas ao país, tendo a concordar com a direita japonesa no aspecto político, e tendo a discordar no aspecto econômico. Pra mim o país está estagnado financeiramente por insistir em certas práticas viciadas, extremo protecionismo, pouca dinâmica e demasiado assistencialismo. Nutro um amor grande pelo país, futuramente retornarei de forma definitiva, e agradeço ao povo japonês por não dar bola à esquerda. Isso só prova o quanto estão a frente dos brasileiros em geral.

    • Guilherme, fico feliz que você tenha se dado ao trabalho de ler o texto e elaborado um comentário, só lamento que você tenha construído toda a sua extensa resposta em cima de um monte de suposições que não estão no texto. Vamos por partes:

      1) “nas entrelinhas você disse que quem é de direita é alienado.” – eu não disse isso de forma nenhuma, eu disse que o autor é um alienado, e ele é, basta ver o background educacional dele, as entrevistas, os documentários. Isso não se estende de forma alguma à toda a direita, então desnecessário entrar nessa questão de marxistas são isso ou aquilo, porque eu, sendo bem sincero, pouco me importo com o embate entre direita e marxistas.

      2) Sobre a esquerda só ter sido pacifista depois do Vietnã, tudo bem, vamos ignorar o Tolstoy, só para dizer um nome da esquerda pacifista do século XIX e XX.

      3) Eu sou educado nas partes que você for educado, e deselegante onde você também for. Não me venha falar de desonestidade intelectual, meça suas acusações, pois eu fui MUITO claro no texto ao tratar da análise como uma análise da direita JAPONESA, inclusive escrevi “A situação bate exatamente com o discurso militarista da direita japonesa. Esse discurso não é exclusividade da direita em termos mundiai”. Você começou lendo o texto achando que estava lidando com o que você chama de um “esquerdista” e não prestou atenção em nada, e aí está, uma clara crítica ao discurso militarista da esquerda. Eu não concordo com a guerra, e eu não acho que quem concorda tem julgamento fraco, eu entendo as razões, acho razões desumanas mas entendo.

      4) Sobre seu último ponto, de não se assustar de ser uma crítica de um brasileiro, e esse blá blá blá de doutrinação ideológica Universitária no Brasil, eu te digo o seguinte, eu estudo na Universidade da Tóquio, que não tem absolutamente nada a ver com essa sua paranóia de “esquerdistas” e sei lá o que, a minha crítica política ao Japão, sinceramente, nem é minha, ela vem da literatura política japonesa, europeia e americana, que é onde eu aprendi sobre política, eu conduzi aqui uma pesquisa sobre benefícios e desvantagens da independência de bancos centrais, hoje conduzo uma pesquisa de governança corporativa, mercado de capitais, estou trazendo para cá uma crítica a gestão politizada da Petrobras, então, sem me conhecer você quer me rotular desse ou daquele partido, desse ou daquele espectro político. Esse sim é um problema brasileiro, achar que no mundo que só existem os espectros políticos nos moldes do Brasil. Tenho uma novidade, existe uma CARALHADA de opções políticas no mundo que não necessitam de adesão aos pacotes brasileiros, então, antes de vir me falar para aprender política e sair do básico ensinado nas Universidades brasileiras, você deveria olhar para si mesmo e sair você desse nível elementar, porque eu já deixei esse maniqueísmo para trás faz muito tempo, fiz cursos de política e economia em universidades de 4 continentes e li de Marx a Mises, então não venha questionar a minha diversidade.

      Quer questionar minha posição pacifista? Tem mil argumentos para usar, agora, querer questionar minha posição com argumentos ad hominem? Você só vai passar vergonha.

  15. E por favor, chamar o Jiyū-Minshutō de extrema direita? O que é extrema direita para você? Me explique, fiquei curioso.

  16. Passar vergonha? Dizer que estudou não quer dizer nada. Eu interpreto pessoas que julgam a visão esquerda-direita como maniqueísta como ingênuas, por mais que você ma aponte mil partidos políticos que se dizem prol ecologia, prol aposentados, prol pacifismo, prol o caralho a 4, a discussão resume-se a esquerda e direita, praticamente sempre. Você pode justificar que não interpreta da mesma maneira, pode dizer que existem comunistas, sócio-democratas, progressistas, libertários, liberais, conservadores, militaristas, etc…ainda estamos falando de praticamente a mesma coisa desde a revolução francesa. Citar Tolstoy não anula o fato de que POLITICAMENTE a esquerda adotou o discurso pacifista a partir da década de 60 (vamos discutir sobre o século XX, pois não vejo sentido de trazermos um panorama tão anterior à uma questão inexoravelmente moderna). Antes disso ela era abertamente revolucionária e armamentista. Estou mentindo? Não estou fazendo juízo de valor, estou apenas constatando. A política é assim mesmo, é estratégica. Bom, sobre o militarismo, eu já tinha visto que você tinha dito que a esquerda também o é quando convém, eu entendi que se referia especificamente ao Japão, PORÉM, estamos falando ao mesmo tempo de Ásia, portando, o Japão se militarizar seria apenas uma resposta às nações JÁ militaristas de esquerda, como a China e a Coreia do Norte, confere? A desonestidade que eu apontei foi nesse sentido, não disse que você mentiu, mas você de certa maneira omitiu. Não precisa dar carteirada, eu acredito que você tem um bom currículo, você escreve bem e eu achei interessante a sua teoria. Isso não me impede de discordar e muito menos de apontar partes que você omitiu (não sei se teve a intenção, mas enfim). Estudar de Marx a Mises eu também estudei, então estamos quites. Agora, que bobeira tentar se passar por superior e me chamar de maniqueísta, hein? Não problematize tanto questões que no fundo são mais simples do que parecem, no final, ainda estamos entre a esquerda e a direita (apesar de concordar contigo sobre o debate ser bem vazio no Brasil, mas não pelo mesmo motivo que você apontou, mas sim pelo motivo das pessoas sequer saberem o que é um pensamento de direita e o que é um pensamento de esquerda).

    • Cara, eu não quero dar carteirada, longe disso, Carteirada seria eu dizer “sou isso e aquilo não discuta comigo”, eu só não gosto que me chame de desonesto, e não gosto que me rotule. As minhas credenciais não são para me colocar como superior, são para atestar a minha diversidade de backgrounds educacionais e políticos. Eu sou bem sincero, não levo numa boa argumento ad hominem, especialmente de quem não me conhece. Estando resolvido esse ponto, podemos retornar ao debate saudável.

      Voltando ao tema, eu não concordo que a discussão se resume a esquerda ou direita, quem me dera fosse tão fácil. No fundo para mim os interesses são mais econômicos do que políticos, e não econômicos apenas no sentido de indústria, dinheiro, trocas, mas no sentido de realização de interesses, maximização de recursos. Muita gente traveste isso de política, muitos colocam política acima disso, mas no fundo eu acho que as pessoas são extremamente complexas e querem garantir sua subsistência e o meio em que vivem, e para isso adotam um sem número de discursos que só nos casos mais extremos conseguem ser plenamente classificados como esquerda ou direita.

      Sem falar no referencial. O que é direita no Brasil é esquerda na maioria dos lugares, o que é esquerda no Japão as vezes parece direita no Brasil…

      • “Voltando ao tema, eu não concordo que a discussão se resume a esquerda ou direita, quem me dera fosse tão fácil. No fundo para mim os interesses são mais econômicos do que políticos, e não econômicos apenas no sentido de indústria, dinheiro, trocas, mas no sentido de realização de interesses, maximização de recursos. Muita gente traveste isso de política, muitos colocam política acima disso, mas no fundo eu acho que as pessoas são extremamente complexas e querem garantir sua subsistência e o meio em que vivem, e para isso adotam um sem número de discursos que só nos casos mais extremos conseguem ser plenamente classificados como esquerda ou direita.

        Sem falar no referencial. O que é direita no Brasil é esquerda na maioria dos lugares, o que é esquerda no Japão as vezes parece direita no Brasil…”

        Nesse ponto concordamos, pelo menos em partes. Com o seu último parágrafo eu concordo plenamente. Aqui no Brasil, por exemplo, o PSDB, que é claramente um partido de centro-esquerda, é tido como de direita, tamanha a preponderância da esquerda no cenário político nacional.

        Sobre a questão econômica, eu concordo em partes. Tanto conservadores quando socialistas trabalham em função da economia, uns defendem com unhas e dentes o capitalismo empreendedor, outros o metacapital, e assim vamos. Mas não acho que isso comprometa a avaliação e a influência cultural de ambos espectros. Por mais que a motivação seja econômica, existe filosofia por trás disso. Tanto a esquerda quanto a direita mudaram muito com o tempo, ou talvez nunca foram aquilo que são em teoria, mas existe diferença entre as duas.

  17. Olha, acho que li essa sua afirmação em uma das respostas que você deu a um leitor, vou procurar aqui.

  18. “Douglas, geralmente o militarismo como ideologia está mais ligado com a direita (Nacional Socialismo é extrema-direita). Faz parte também do arcabouço ideológico do Comunismo Stalinista e Maoista, mas geralmente não é parte da esquerda, seja ela liberal ou não. No caso do Japão, historicamente o militarismo é principal bandeira da extrema-direita, e um dos carros chefes mesmo da direita moderada. Aqui a bandeira do pacifismo, e especialmente a defesa incondicional da clausula constitucional de renúncia à guerra é carregada de forma mais extrema pelo Partido Comunista, mas em maior ou menor medida é defendida por todos que se encontram no espectro da esquerda japonesa. O Jimintou, partido mais poderosos do Japão (de direita) tem combatido a cláusula pacifista desde a década de 50.”

    • Eu disse aí que militarismo é uma bandeira da extrema-direita e da direita moderada, depois eu aponto o Jiminto como direita, não como extrema.

  19. O militarismo geralmente não é uma bandeira da esquerda? Então o que podemos dizer de Cuba, Venezuela, Coreia do Norte, URSS, China, Vietnã, Camboja…o que podemos dizer sobre as ditaduras africanas? Sem contar que muitos dos líderes desses países gostam de ser chamados de “Generais”. Veja, não estar do lado do exército regular não te faz necessariamente um “anti-militarista”. Aliás, uma milícia também é uma “entidade” militar, ou melhor, paramilitar.

    • Bom, mas aí depende do viés que você vai destacar, você destaca que esses regimes são de esquerda, eu destaco que eles são totalitários. Esquerda ou direita, o totalitarismo é militarista, não acho que tem a ver com o espectro político.

      • Pô, então não diga que é coisa da direita…rs. Não vale dizer que quando a esquerda é autoritária ela não é esquerda, e que a direita quando o é, é direita, percebe?

      • Mas são contexto diferentes. Quando você pensa em esquerda ou direita totalitária, são ambas militaristas, mas quando você pensa na esquerda e direita não totalitárias? Nesse caso a direita apela mais a um discurso militar que a esquerda (caso do Japão, dos EUA em certa medida também, o mesmo na França e etc.)

      • Bom, devemos interpretar as situações também. Será que a direita é mais “militarizante” pois a esquerda é revolucionária (e se dispõe a pegar em armas)? Pode ser. E, sinceramente, eu não acho ruim um país investir em poderio militar.

      • Defender as suas fronteiras é obrigação de um Governo. Pacifismo só funciona quando é mútuo, e, vamos ser sinceros, o Japão não está num local muito pacífico, ele sofre constantes ameaças. Só não está pior que Israel…rs.

  20. Você não disse que o Jimintõ é um partido de extrema direita, realmente, eu li errado. Mas deixou a entender que ele é militarista. E você associa o militarismo à extrema direita. Vai ver que é por isso que eu me “confundi”.

  21. Agora, vamos ao que interessa. Quais são os motivos pra você ser contra o Japão, digamos, voltar a se impor no continente asiático?

    • Particularmente, acho que o tempo de ilusão de que o Japão podia ser um dos grandes no mundo passou. O país está passando por uma decadência econômica, a população está envelhecendo. De um ponto de vista bem pragmático, e não ideológico, eu não acho que o Japão tem condições econômicas ou geopolíticas de se impor perante China e até mesmo Índia no futuro. Acho que faria bem em adotar uma postura mais neutra, como uma boa defesa, uma diplomacia mais flexível, maior aproximação e países asiáticos, sem ceder aos valores dos vizinhos para garantir no futuro a boa vontade deles.

      Do ponto de visto ideológico eu acredito no pacifismo como um caminho a ser seguido, um caminho que o Japão manteve até agora e pode manter mais, desde que mude a atitude perante os vizinhos. Não tem que ceder a eles, mas não precisa manter a animosidade desnecessária que vem demonstrando.

      • O pacifismo nos levou a muitas situações péssimas, posso citar uma de décadas atrás, o avanço nazista, e uma bem recente, o ISIS. Eu acredito na diplomacia, mas isso não quer dizer que todas as questões serão sanadas só com diálogo. Não existe diálogo com ditadores. Sobre a questão econômica, o Japão falha em muitas coisas. De fato a população está envelhecendo, e as pessoas tem cada vez menos interesse em ter filhos. Essa é uma questão séria. Mas o Japão ainda é uma das maiores economias do mundo, as empresas japonesas são gigantes e respeitadas mundo afora, possuem uma credibilidade que as chinesas não possuem. A questão chinesa é apenas quantitativa, fora a mão de obra “escrava” e escrava, sem aspas. O mesmo se aplica à Índia. Economia não se resume a mão de obra e espaço geográfico, existem países minúsculos, como a Nova Zelândia, Cingapura e outros que conseguem driblar dificuldades assim e se consagrarem sociedades altamente prósperas. O que o Japão precisa é perder a timidez e as amarras comercias, como eu disse, se impor tanto politicamente quanto economicamente. O Japão falha em não criar uma aliança mais forte com a Coreia do Sul e os demais tigres asiáticos, parece que ainda existe um recentimento pós segunda guerra que inibe o Japão, talvez seja culpa dos pacifistas, não sei…rs.

      • Ressentimento* o corretor está maluco…rs.

      • E eu não acho que é uma “ilusão” o Japão ser uma potência econômica, pois ele O É. Se é mal gerido, é uma outra história. Agora, chamar de ilusão um país que se reconstruiu e se tornou a 3 maior potência do mundo em menos de 50 anos é um pouco errado, não acha? Ele É um dos grandes do mundo.

      • O pacifismo, ou melhor, a passividade, levou a Europa inteira a ser refém da Russia do maníaco Putin. Fora a questão das séries de atentados terroristas. Lembre-se, quem quer paz, deve-se preparar para a guerra. Quando você baixa a guarda, outros vão tirar proveito da situação. E se é pra existir uma imposição de valores, que sejam os valores democráticos, como os do Japão, da Coreia do Sul, etc.

      • Eu não tinha me atentado a um comentário interessante seu, dizendo que o o partido que carrega a bandeira pacifista no Japão com mais força é o partido…comunista. Qual será o motivo? Será que é pq as maiores ameaças do Japão sejam países…comunistas? Veja, até o pacifismo está comprometido com um interesse maior. Vai me dizer que você prefere os moldes sociais chineses e norte coreanos aos japoneses? É por essas e outras que comunistas são considerados inimigos da nação, eles atentam contra o próprio povo, seja por interesse financeiro, seja por interesse político ou ideológico. O comunismo sempre teve sempre terá uma meta internacionalista, os comunistas desprezam a cultura nacional, aliás, dão valor em alguns casos, casos esses de países em que o comunismo já está implantando. Isso só mostra como não se trata de uma teoria da conspiração, mas sim de uma realidade dura. Eu discordo da extrema direita nos casos de protecionismo econômico, na falta de dinâmica e diálogos comercias, na estatização, etc. Mas não concordo com a extrema esquerda em absolutamente nada.

      • Você simplifica demais a política japonesa. Só pelo nome dos partidos brasileiros você consegue saber todas as suas ideias, alianças e etc? Definitivamente não. O Partido Progressista é conservador, o Socialista é de centro… O Japão é igual, o nome do partido não diz nada, o que diz é o contexto de sua criação, os seus membros, a posição histórica na política nacional. O PC japonês não é um aliado da China e da Coreia do Norte. Cada país tem o seu cenário político. Repito, o mundo não está dividido entre esquerda e direita, comunistas e anti-comunistas. O partido comunista japonês defende muito mais liberdades civis do que os partidos liberais. Se duvidar ele é mais liberal que os liberais. Enquanto o debate ficar nessa coisa de esquerda direita, de “neo-liberal fascista” contra “comunista inimigo dos valores cristãos” essa conversa não vai ter sentido. Isso aí, de querer ditar cultura, valores, ideologias e dizer o que é bom e mau, para mim, é polícia de pensamento, e eu dispenso. E aqui é onde me distancio da esquerda e direita nos moldes brasileiros. Uma quer ditar o que é justo é injusto, a outra o que é bom e mau, está mais preocupada com o CÚ dos outros do que com o ser humano.

      • Você tem uma visão muito romantizada da política. Percebe, é de fato mais simples que os intelectuais tentam pintar. No Brasil não existe direita na política, apenas algumas figuras, alguns políticos. Aqui no Brasil o que impera é a esquerda bolivariana e o patrimonialismo. Aqui se faz politicagem, não política. Só a esquerda aqui é mais idealista e coerente. Infelizmente. Quem sabe o Novo trará novos ares à política brasileira, mas ainda tenho minhas dúvidas. Por enquanto temos que nos contentar com oposicionistas isolados, como o Ronaldo Caiado. O progressista é conservador? Evidentemente que não…rs. Não tome a besta do Jair Bolsonaro como sendo o partido, inclusive, ele luta pra deixar o partido. No Brasil, as coisas são bem simples sim. No Japão a direita realmente é mais forte, mas não me diga que o Partido Comunista é liberal, sério. Se o partido comunista se coloca em posicionamentos mais “individualistas” que os partidos mais conservadores, é apenas por estratégia. Assim como o PT se posicionava como o partido da ética antes de chegar ao poder. Talvez eu seja demasiadamente realista e isso te incomode, mas é assim que eu enxergo o mundo. Dizer que as coisas são mais complexas do que eu posso imaginar não rebate os meus argumentos. Se você é simpatizante do partido comunista, ótimo, você está exercendo seu direito de opinião. Se não for, a mesma coisa. Mas isso não muda os fatos. Só que eu duvido muito que TODOS os partidos comunistas não sejam aliados mundo afora, pois se não forem, estão contra os ideais comunistas. Como eu disse, o comunista é uma ideologia internacionalista. Eles podem até falar que não se bicam, mas isso é até a página dois, pois logo que o cerco aperta, um apoia o outro incondicionalmente. Em qualquer país é assim, sempre que a esquerda se sente ameaçada, ela se une às outras esquerdas, aquelas que antes chamava de “pelega”, “vendida ao capital financeiro”, etc. Podemos chamá-las de linhas auxiliares. Não fique irritado, estamos debatendo numa boa. O seu último parágrafo deixa claro com o tanto que você é idealista, primeiramente, lá em cima, você disse que não acredita em política, disse que todos os partidos estão subordinados à economia, agora disse que eles estão mais preocupados em cuidar das vidas das pessoas. Veja, teoricamente eu não vejo problema em ninguém ser utópico. Mas isso atrapalha a análise. A própria contradição está em ser utópico. Eu também gostaria que cada um cuidasse de seu umbigo, mas isso não é possível. Sendo assim, eu tento me pautar naquilo que é concreto, por isso me formei sendo liberal-conservador. Eu gostaria muito que não existissem conflitos no mundo, mas o mundo não se moldará a minha vontade, as pessoas tem objetivos e vontades variadas.

      • Eu acredito que você é extremamente ingênuo ao achar que é um realista, quando parte da sua opinião gira torno de conspirações “olavistas” de esquerda bolivariana dominando o Brasil. Eu não fico supondo estratégias e agendas secretas por aí , eu acredito em fatos. Se eu disse que o PC é mais liberal, digo isso porque defende mais liberdades civis individuais (no momento). Porra, os caras defendem até o financiamento privado de campanha… Esse é o fato, se existe uma agenda secreta, isso é suposição, e para mim não está longe de teoria conspiratória ( tanto que eu chamo o meu post assim, já que não há base nenhuma para ele).

        Você me chama de idealista por dizer que os partidos querem dar pitaco na vida alheia. Idealista? Mas não é isso que eles fazem? Esses não são interesses pessoais dos políticos no final das contas? Aqui você soa como um marxista radical, se falo da economia (estrutura) tudo bem, se falo que a ideologia pessoal (superestrutura) também conta, sou idealista.

        Você fala em se basear em fatos concretos mas não vi muitos fatos ai. Você tenta ler muitas entrelinhas e lê elas erradas (eu vejo isso pela forma como leu as minhas entrelinhas) . Como confiar em todas as outras suposições.

        Eu aprecio que você tenha participado aqui, mas eu não tenho tempo para debater coisas imaginadas, ingênuas, dicotomias, debates ultrapassados de esquerda soviética contra mundo livre. Eu não tenho tempo para ficar imaginando agendas secretas de partidos políticos, eu não simpatizo com qualquer partido. Me interessam fatos, fundamentação teórica, citações. Sem isso eu não posso continuar nesse debate.

        Quando eu escrevi esse post eu tinha tempo para ficar imaginando conspirações, hoje eu não tenho tempo nem saco para isso. E também não tenho tempo para reinventar a roda, quase tudo que você diz já foi dito, rebatido, reafirmado, então se a gente não usar as bases teóricas já existentes vamos ficar repetindo um debate que já foi vencido a muito tempo. Como fazer um debate realista? Falar de coisas novas, não adianta dizer que o Abe é bom ou ruim, que o Japão precisa disso ou daquilo, tem que provar, para provar tem um monte de estudos acadêmicos quantitativos e qualitativos por aí. Traga eles e o debate continua, caso contrário eu encerro por aqui.

      • Sem contar que o relativismo só levou o mundo à decadência. O Japão não precisa disso. A Europa já serviu de laboratório. Pra qualquer pessoa existe o conceito de “mau” e “bom”. Ela nem precisa ser religiosa pra pensar assim. Todos fazem os seus julgamentos, até quando acham que não estão fazendo. É um paradoxo…rs. Você e qualquer pessoa (inclusive eu) dizer que não se interessa em policiar o pensamento está sendo incoerente e hipócrita (não leve como ofensa). Todos temos padrões estéticos e morais, por mais que esse padrão seja a falta de padrões. É hipocrisia se colocar como paladino das liberdade irrestritas, não só hipocrisia, como irresponsabilidade (de novo, não tome como ofensa pessoal). Não existe liberdade irrestrita, isso é um pensamento ingênuo de libertário. O Japão precisa de “testosterona”, não é a toa que o povo estar tão refém da passividade. Não é por acaso que o Japão não deslanchou de vez. Faltam “guts”. O Abe-san tem mostrado certa coragem em financiar o combate ao terrorismo, fiquei feliz ao ver isso. Mas na economia ele ainda precisa melhorar. Porém, ele não pode ser crucificado, muitos dos críticos dele aplaudiram loucuras feitas na Europa, que a levaram a completa falência. Eu já meio que passei da fase “sonhadora”, hoje eu escolho o que me parece mais plausível. Nenhuma das minhas críticas ao Japão são baseadas em ideais, são baseadas naquilo que já aconteceu com outros países. De verdade, vou dizer mais um vez. O Japão se colocar como nação pacifista, na situação que se encontra, na posição geográfica em que está, é cometer SUICÍDIO (Um fim irônico, tendo em vista do maior mal que assola o povo).

      • E sobre contextualização…bom, o PT foi fundado por parte da igreja católica…rs.

      • O Henrique Meirelles e o Joaquim Levy são liberais, um foi e outro é ministro do governo PT. Isso não muda o programa do partido.

      • Como eu disse, é apenas uma questão estratégica. O posicionamento temporário pode variar, mas o ideal não muda. O nome disso é política.

      • Não estou tentando dizer que a direita é boa e a esquerda é má. Eu não sou maniqueísta como você disse. Eu tenho a minha opinião, mas ele é apenas uma opinião. Na verdade eu estou corroborando com uma das primeiras respostas suas, estou dizendo que os partidos servem a ideais maiores. E, NO MEU ponto de vista, o ideal maior da esquerda é ruim. Por isso não me deixo iludir por um posicionamento momentâneo. Como eu já disse algumas vezes, se posicionar como pacifista pode ser uma estratégia de momento. O mesmo digo sobre defender liberdades individuais. A esquerda carrega a bandeira de defensora das minorias e da pluralidade cultural, mas em todo país que ela chegou ao poder, o que vimos foi o massacre daqueles que a apoiavam. Sugiro assistir à uma palestra que tem no Youtube de um um desertor da URSS, o nome dele é Yuri Bezmenov, ele foi agente propagandista do regime, tem inclusive legendado em português.

      • Olha, se quiser terminar o “debate” por aqui, eu já disse, não vejo problema algum. Eu te joguei fatos, você que está vindo com posicionamentos, tentando se esquivar do que eu disse. Conspiração ou não, o que eu apontei vem acontecendo sistematicamente no mundo, não precisa ser nenhum louco paranoico para enxergar, basta querer ver. Hoje mesmo oposicionistas brasileiros foram apedrejados na Venezuela. Agora, se você acha isso certo ou errado, cabe a somente você decidir. Não precisa ficar enervado com a discussão, tentar me desqualificar não vai ajudar em nada. Se eu sou “olavista” ou não, o que interessa? Argumente sobre os fatos. Sim, eu tenho um posicionamento conservador mesmo, isso eu deixo bem claro. Não estou tentando me passar por aquilo que não sou. Passar bem.

      • Cada, não adianta ficar de choro, eu não estou desqualificando ninguém, ocorre que no mundo real é assim, tem que provar tudo, fatos cada um interpreta como quiser (e você não deu quase nenhum) mas a interpretação tem que ser embasada. Se isso te desqualifica é porque você não está preparado para debater no mundo real, só no mundo conspiracionista. Meu artigo não tem base nenhuma, é pura conjectura, se for debater a realidade é evidente que é preciso elevar o nível da discussão.

  22. E por fim, nesse ponto, eu estaria entre os soldados de Shingeki No Kyojin, eu também acredito que não podemos sentar e esperar que os “inimigos” venham até as nossas casas armados para abrir um diálogo. Acordos são feitos bilateralmente, ficar com medo de se impor e sofrer hoje pode ser a pior escolha, pois a aniquilação pode ser apenas uma questão de tempo (com a licença poética que me cabe…rs).

  23. Antes de tudo,

    Quero dizer que estava demorando para comentários do tipo do Guilherme aparecer por aqui. Serio mesmo, eu sempre me perguntava se a galera do Orlavo de Carvalho ainda não tinha encontrado algum comentário que pudessem tomar como uma crítica pessoal, atague dos comunistas fãs de anime (todos que não estão com ele são comunistas até provar o contrário) ou se o Eduardo censurava os comentários. Eu não iria culpa-lo se censurasse.

    @Guilherme:

    Eu concordo totalmente quando você escreve:
    “Todos fazem os seus julgamentos, até quando acham que não estão fazendo. É um paradoxo…rs. Você e qualquer pessoa (inclusive eu) dizer que não se interessa em policiar o pensamento está sendo incoerente”
    Porém, usar isso como uma desculpinha esfarrapada para ofender o Eduardo (ou qualquer outro, seja de “direita” ou “esquerda”) eu considero falta de ética, de moral e de caráter (não se ofenda, digo isso sobre a atitude isolada). Sei que isso é altamente subjetivo, mas é minha opinião.

    “Veja, é desonestidade intelectual você atribuir certos adjetivos a apenas um dos lados da moeda. A guerra é válida desde que seja a favor das suas vontades.”
    Se você tivesse dito isso comigo, eu não iria dar oportunidade de você continuar escrevendo no meu blog, tenha certeza disso. E, sinceramente, também não iria me importar se você iria pensar que “venceu” a discussão.

    “por mais que você ma aponte mil partidos políticos que se dizem prol ecologia, prol aposentados, prol pacifismo, prol o caralho a 4, a discussão resume-se a esquerda e direita, praticamente sempre.”

    Se você for em um site serio de libertários (não é o mises), ele dirão para você que tudo ou é estatismo ou é não estatismo e também dirão que liberal conservador não existe.

    Sobre os japoneses não se importarem muito com política, discussões como essa apenas me fazem pensar que eles estão totalmente certos.

    Aqui no Brasil, o povo perde tempo demais com política, esse esforço sendo usado na economia ou mesmo no lazer individual seria mais proveitoso, em minha opinião.

    Espero sinceramente não ter ofendido ninguém (serio mesmo). E (apenas por curiosidade) também dizer que os únicos fóruns que eu frequento são esse e o Kickass, esse último exatamente por proibir qualquer discussão política ou religiosa.

  24. Concordo em todos os pontos,faz muito sentido. Inclusive o Japão investe muito em marketing através dos Mangás.

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