Nihongo: do básico ao N1 – Parte 1

O primeiro livro didático com o qual estudei, o Nihongo Nyûmon utilizado no Oyama Gakkou

O primeiro livro didático com o qual estudei, o Nihongo Nyûmon utilizado no Oyama Gakkou

Já escrevi vários posts com dicas sobre como estudar o idioma japonês, já contei um pouco dos meus métodos, mas até agora não sistematizei essa história do ponto inicial ao ponto, digamos assim, de conhecimento satisfatório do idioma. Considerando que vejo muita gente se perder pelo caminho, vejo muita gente que não começa a estudar por não conhecer a jornada. De fato algumas pessoas gostam de ter uma noção do todo, do início, meio e fim (ainda que o aprendizado do idioma não tenha fim) para saber onde está, quanto falta, se está avançando. Portanto, vou falar um pouco sobre o meu aprendizado do idioma.

1) Premissas dos post

Nomeei o post do básico ao N1 por dois motivos: 1) Eu não fiz Nouryoku Shiken (Teste de Proficiência) antes do N1, então meu critério de início é o japonês basicão. 2) Não usei expressões do tipo “como aprendi japonês”, “saber japonês” e etc pois são expressões muito vagas. O que é saber o idioma? É ter concluído um curso de 5 anos? É saber ler? É saber falar? É saber escrever? É saber fazer tudo isso sem dicionário, sem ajuda, naturalmente? Não sei, cada um tem seus objetivos, como me foco muito na leitura, sempre considero que aprendi um idioma quando consigo ler um livro qualquer, um jornal, como se fosse na minha lingua materna.  Em japonês isso demanda muito trabalho, muita gente fala nihongo perfeitamente e não saber ler, mas talvez seja uma questão de objetivo individual.

Explicado isso, acrescento que comecei a aprender japonês já sabendo muito bem inglês, e isso ajuda porque muito material bom está disponível nesse idioma e porque, depois que você aprende a sua segunda língua você tem noção das dificuldades, dos métodos, e se sabe bem mesmo você consegue usar como termômetro no novo idioma para entender o estágio em que está.

2) O início

Pois bem, vamos ao que interessa. Tive o primeiro contato com o idioma mais ou menos em 2003, com aquelas revistas de anime formato grande que ensinavam hiragana e katakana. Vendo meu esforço, meus pais me matricularam no Curso de Línguas Estrangeiras Oyama, creio que em 2005. O método da escola é sensacional. Existem turmas, mas cada aluno segue no seu ritmo, dessa forma você não precisa se apressar para acompanhar os outros e não é atrasado por alguém mais devagar. Além disso você pode sempre ficar mais tempo em um tema, desviar um pouco do currículo com outras atividades. Esse método ensina outra coisa importante: o aprendizado depende do aluno, se você não leva a sério, não estuda fora de sala, você fica no mesmo nível da maioria, sempre com dificuldade, se você se esforça por conta própria avança bem, e consegue usar o professor para esclarecer dúvidas e aperfeiçoar sua habilidade, fugindo da situação “professor expõe conteúdo e aluno acompanha como pode”.

3) Primeiro contato com Kanji

Devo ter estudado uns dois anos assiduamente, 4h por semana, indo para aula mesmo nos cursos de férias. O aprendizado dos kanas, contagens e saudações é bastante rápido, em torno de 1 ou 2 meses. A entrada nos kanjis é empolgante, até se tornar bem dramática. É fácil decorar as primeiras dezenas, mas depois de uns 100 ideogramas a quantidade de traços e leituras dá um nó sério na cabeça. Particularmente não gosto da técnica de ficar repetindo a escrita. É muito boa no começo para aprender a escrever, melhorar a letra, mas não me ajuda a decorar nada. E, realmente, nos primeiros anos kanji foi uma grande dificuldade minha.

4) Uso de materiais “reais”

Na parte de compreensão de texto eu avancei melhor com a técnica proposta pela Satomi sensei: pegar algo que você já conhece (no meu caso foram edições de mangá de animes Ghibli da biblioteca da escola, lembrando que na época a internet não era tão fácil para achar esse tipo de coisa) e tentar ler sem dicionário. Como você sabe o que provavelmente vai ser dito na cena é mais fácil deduzir, e por algum motivo aquelas palavras, kanjis são mais facilmente decorados nesse ambiente de familiaridade.

Esses primeiros anos são complicados, sem kanji não dá para ler com tranquilidade (contrastando com minha experiência com alemão, por exemplo, que em 1 ano permite a leitura tranquila de qualquer coisa), e o manuseio de dicionários de Japonês é lento. Mesmo assim, eu sempre tentei evitar materiais didáticos, aprenda japones com manga e etc, não por serem ruins, mas porque eu acho que ou você aprende o idioma como ele é na vida real ou você vai passar a vida falando “Hajimemashite, watashi wa eduardo desu” , e só o contato com a vida real vai te mostrar porque uma expressão gramaticalmente correta pode soar idiota. E com isso aprendi uma coisa, em vez de querer construir minhas frases no começo, o melhor é imitar os outros e não criar vícios, e partir para a criação com um domínio maior.

5) Dicionários

Falando em dicionários, usei muito aquele grande da Michaelis, tem muitos verbetes, mas um dos que me foi mais útil é um pequeno meio bege que foca na gramática e tem muitos exemplos. Os verbetes são poucos mas ensina a lidar bem com a construção das frases. A descoberta do rikai, e depois rikai chan foi um grande avanço no estudo, mas falarei disso depois.

6) Crise dos três anos

Em resumo, diria que os primeiros meses parecem avançar muito bem, e os três anos seguintes parecem bem devagar, os kanjis se tornam uma barreira, muita gente se bate com as formas verbais (forma -te, -ta, -eba, -ra)… O fato de não ser possível ler um livro, um mangá, assistir um programa com facilidade desanima, especialmente considerando que muitos idiomas permitem isso em 1, 2 anos. Três anos me parece ser o momento crítico de japonês, sendo curto e grosso: 90% das pessoas com três anos de nihongo em um regime 4h por semana, não sabe nada de japonês. Quer dizer, sabe muitas coisas mas não tem condições de manusear o idioma na vida real.

O complicado é que a sociedade acaba te pressionando, as pessoas perguntam coisas e você não sabe responder, mas depois de 3 anos parece uma vergonha não saber bem uma língua (para quem conhece japonês é natural, quem não conhece não sabe a dificuldade que é). Aqui as pessoas se dividem, alguns para esconder a vergonha passam a se enganar achando que sabem muito, colocam no facebook e no currículo fluente em japonês, e acabam se acomodando, e, um dia, quando é preciso mostrar, não consegue porque parou no tempo. Outra pessoas vêem que não sabem nada e desistem. Não é uma atitude ruim, algumas pessoas sabem que não vão conseguir se empenhar mais 2, 3, 4 anos, alguns não tem tempo, alguns perdem o interesse. Essas pessoas tem noção que não sabem mas ao menos aprenderam a matriz da línga, tem noção de um idioma muito diferente, e isso é ótimo. Outras pessoas vão ver que não sabem nada mas que estão no meio do caminho do aprendizado. Se elas tem tempo e interesse, vão se dedicar mais e vão melhorar os métodos.

Nesse ponto crítico eu continuei, mas diminuí as horas de estudo, comecei a faltar algumas aulas e não fazer curso de férias. A faculdade pesou muito nisso, Direito exigia muita leitura e japonês não estava ajudando. No próximo post explico as mudanças que mudaram meu aprendizado, os testes que comecei a fazer, os métodos e etc.

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3 Respostas para “Nihongo: do básico ao N1 – Parte 1

    • A continuação está pronta, só estou segurando porque falta preencher alguns detalhes. Essa parte será focada nos dicionários.

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