Perspectivas para o Japão sob controle do Jimintou (LDP)

Abe

Baseado nos chamados “manifestos” dos partidos japones, já é possível vislumbrar um pouco do que muda e do que continua igual com a mudança de Partido do governo japonês. Vou apontar, portanto, as principais diferenças (ou semelhanças) entre as propostas do Minshutou – DPJ (derrotado) e o Jimintou – LDP:

1) Reforma Constitucional: Não é segredo para ninguém que o LDP se opõe ao art. 9º (renuncia a guerra) nos moldes atuais. Já apresentaram várias vezes propostas de modificação do artigo para formalização do Jieitai como exército. Esbarravam, no entanto, tanto na ausência de lei que disciplinasse o processo de referendo necessário para reforma (já aprovada)como no do quórum para aprovação no Congresso: 2/3 em cada uma das casas. Pois bem, com a vitória esmagadora da coalizão Jimin-Komei, obtiveram 2/3 da câmara baixa e metade da câmara alta. Resultado, já foi anunciado hoje que pretendem modificar o art 96 da Constituição diminuindo o quórum necessário para emenda constitucional.

2) Geração de Energia: Enquanto o DPJ apresentou uma postura mais firme no que diz respeito ao fim da utilização de energia nuclear, que seria interrompida até 2030, o LDP estabeleceu que só definiria sua posição dentro de 3 anos, após estudos concretos sobre a possibilidade de manutenção do suprimento energético. Entretanto, como a ênfase do partido é garantir o fornecimento estável de energia, parece indicar que vão optar pela manutenção das usinas nucleares.

3) Majoração do Imposto Sobre Consumo: Ambos os partidos são favoráveis ao aumento do Imposto Sobre Consumo, que passará dos 5% atuais para 8% em 2014, e 10% em 2015. Concordam também em direcionar toda a receita ao financiamento da previdência social. As discordâncias dizem respeito apenas às formas de abatimento e isenção do imposto para as famílias de baixa renda.

4) Participação na TPP (Trans-Pacific Partnership): os partidos discordam sobre a adesão ou não ao Tratado. O DPJ é favorável à inclusão do Japão no bloco econômico, bem como em um FTA (Free Trade Agreement) com a China e a Coréia. O LDP promete ser totalmente contrário ao TPP enquanto a extinção das tarifas aduaneiras e dos subsídios (especialmente de produtos agrícolas) for um requisito indispensável.

5) Política Financeira: Enquanto o DPJ pretendia focar no combate à deflação especialmente por meio do combate à alta do iene no mercado financeiro, o LDP propõe uma a aproximação entre governo e Nichigin (banco central japonês), inclusive por meio de reforma da legislação que regula o Banco, levando a uma maior desregulação do sistema. O LDP também está focando mais em aumentar a meta de nível de preços em 2%, em vez do foco em quantificar a meta de inflação pretendida.

6) Reforma política: O LDP não tem qualquer proposta para reforma política, aguardando a próxima legislatura para abrodar o tema (reforma entendida no cenário japonês como redução do número de parlamentares na câmara baixa e alta), enquanto o DPJ já planejava reduzir o número de parlamentares na Câmara Baixa em 75 cadeiras (hoje são 480) e da Câmara Alta em 40 (hoje com 242 cadeiras).

Enfim, resumo da ópera: o debate em torno da reforma constitucional vai se acalorar, a tendência do Japão acabar com a dependência da energia nuclear deve ser revertida, no mínimo com a manutenção das usinas em funcionamento; o imposto sobre consumo vai aumentar, o Japão não deve entrar na TPP e nem deve estreitar os laços com a China e Coréia do Sul; existe grande chance de vermos mais interferência do governo no Banco Central e ao mesmo tempo uma desregulação do sistema financeira. Por fim, o número de parlamentares não deve diminuir nos próximos 3 anos.

As informações foram colhidas ao longo dos noticiários políticos no último mês, mas o Yomiuri Shinbun fez o favor de estragar meu esforço e reunir tudo em um só artigo também. Fica aqui a fonte

http://www.yomiuri.co.jp/election/shugiin/2012/news1/20121130-OYT1T00045.htm?from=top

 

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Uma resposta para “Perspectivas para o Japão sob controle do Jimintou (LDP)

  1. Em todo processo eleitoral dos países mais influentes do mundo, costumamos pensar muito em termo de política externa e pouco n oque interessa – provavelmente muito mais – ao cidadão comum do país…
    A mídia ocidental dá atenção para a relação do Japão com a China, e um pouco para a problemática nuclear por conta do que ocorreu em Fukushima.
    Legal saber também o que interfere no dia a dia do japonês, preço dos produtos de consumo etc.

    Espero que o blog continue nessa crescente de atualizações.
    abraço

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