Estudando uma língua a partir do zero

Já apresentei no blog a forma como utilizei o Anki para estudar nihongo e também o uso da ferramenta para o Exame da OAB. Em ambos os casos eu já tinha conhecimento prévio dos assuntos. No caso do idioma japonês já tinha alguns anos de estudo com muitas regras gramaticais fixadas, com vocabulário básico constituído e um conhecimento mediano de Kanji.

Nesse cenário era difícil garantir que o Anki possa servir como ferramenta para aprender um idioma do zero. Também era difícil dizer como iniciar o aprendizado autodidata de um idioma. No entanto, esse ano comecei a usar o método para aprender alemão. Em 7, 8 meses já consigo ter uma boa idéia de notícias se um dicionário do lado e consigo ler elas com uma compreensão muito boa tendo a ajuda de um léxico. Acredito que posso, portanto, transportar essa idéia para o nihongo e reforçar algumas questões já levantadas no blog.
1) O INÍCIO

A despeito do que algumas pessoas pregam, é importante estudar a gramática do idioma. Alguns acreditam que ela pode ser absorvida por osmose, outros acham que as sutilezas não são importantes. Discordo, para um autodidata é muito importante conhecer a estrutura gramatical porque ela responde a maioria dos porquês da língua ser de determinada forma. Se alguém quer aprender só a falar, só a ouvir, só a se comunicar, tudo bem, talvez a gramática não pese tanto, mas isso não é saber o idioma.

2) KANJI – A GRANDE BARREIRA

Se no aprendizado convencional a leitura do japonês já é uma barreira, no aprendizado autodidata é ainda mais complicado. Toda a idéia do anki se baseia na possibilidade de usar frases do dia-a-dia, de jornais, revistas, filmes, para imergir no idioma. Em Japonês isso não é possível em um primeiro momento, ou seja, é preciso usar os flash cards para construir as competências básicas de leitura de hiragana e katakana, para depois ser introduzido na leitura e significado dos kanjis. Heisig é uma ótima forma de começar, ter um dicionário básico de kanji também é bom. O problema é que durante muito tempo você não pode se aventurar no mundo real do nihongo, precisa se manter em materiais muito simples e infantis. Me parece que esse ritmo que tive com o alemão não pode ser repetido em japonês, é preciso se conformar com uma aprendizado mais vagaroso e menos empolgante. Não passei por essa dificuldade, então se alguém souber uma solução para isso, comente por aqui.

3) PROBLEMAS ADICIONAIS

Usando apenas o Anki eu não consegui deduzi a gramática alemã, então no nihongo o uso de um bom livro de gramática é essencial, especialmente aqueles mais detalhados que dão dicas do que é importante  e do que não é. Além disso eu não pareço estar desenvolvendo uma boa competência de criação de frases, está sendo um aprendizado muito passivo. Considerando que o nihongo ainda tem a problemática de aprender uma nova escrita, é muito importante encontrar açgum material que ensine bem as regras dos traços desde hiragana até kanji. É inevitável também usar algum workbook para testar o conhecimento ativo. Na questão da fala e audição, não acho que o Anki preste muito, é melhor usar audiobooks e etc.
4) CONCLUSÃO

Concluo que o Anki é o suficiente para muita coisa, mas não é o bastante para dominar o idioma. Materiais de apoio e achar um ponto de interesse que te mantenha ligado ao idioma é essencial. No caso do Japonês os mangas acabam sendo uma boa opção pela simplicidade. Enquanto a maioria dos idiomas permite um contato imediato com a literatura, o nihongo exige doses homeopáticas de frases com poucos kanjis até que se tenha o domínio gramatical que permite deduzir o significado de uma palavra do contexto da frase.
Enfim, esse é um post genérico e meio inútil, mais para frente pretendo postar alguns livros úteis para suprir as lacunas do Anki, entretanto, antes disso vou elaborar um post falando da minha experiência em alguns eventos que tenho participado, dos Simpósios da APAEX (Associação Paranaense dos Ex-Bolsistas Brasil Japão) e do XXII Encontro Nacional De Professores Universitários De Língua, Literatura E Cultura Japonesa – IX Congresso Internacional De Estudos Japoneses No Brasil.

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3 Respostas para “Estudando uma língua a partir do zero

  1. Com o Anki não vai dar para aprender Japonês, sinto muito. Kanji então nem se fala. Crie outros métodos. Eu decorava kanji em cartões, visualizando imagens do significado do kandji na mente, é arcaico mas funciona.

    • Isso varia de pessoa para pessoa, com o Anki eu cheguei ao N1 do Nihongo, aprendi russo e alemão do zero. Mas isso só é possível porque uso o programa rigorosamente todo dia desde 2009, se não fosse assim o esforço não teria valido a pena.

      E, afinal de contas, o Anki é exatamente a mesma coisa que o método dos cartões em papel (SRS), só que com uma grande vantagem, você não precisa rever todos de uma vez, o algoritmo programa a revisão exatamente conforme sua necessidade.

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