Empresas mais populares para trabalhar na visão dos universitários japoneses

Pesquisando imagens dos chocolates do Grupo Meiji me deparei com um trem inteiro fazendo propaganda do produto.

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Eu fiz um breve comentário em outro post sobre o procedimento de busca de emprego pelos recém- formados japoneses, o que inclusive foi o tema de uma pesquisa feita no segundo semestre em uma das disciplinas que cursei no Japão.

Relembrando, mais ou menos na metade ou fim do terceiro ano universitário os Japoneses iniciam a busca por um emprego estável a ser assumido simultaneamente à sua conclusão do ensino superior. Essa jornada dura cerca de 1 ano e é marcada por visitas à feiras de empregos, inscrição em um número absurdo de processos seletivos, chegando a comparecer a 100 provas e entrevistas nesse lapso tempora (o que obviamente compromete não só a frequência nas universidades como a qualidade da formação que recebem nos últimos anos, afetando especialmente o nível dos trabalhos de conclusão de curso).

Todo esse esforço é justificado pelo fato de que os egressos das universidades que não conseguem uma vaga imediatamente depois de formados tem grande chance de nunca conseguir um emprego regular e estável em boas empresas, e acabam vivendo de empregos temporários ou de cargos muito pouco atrativos.  Hoje a demanda para flexibilização do sistema é muito grande, não só pelos prejuízos acadêmicos dessa busca por empregos mas também em face do alarmante número de recém formados desempregados, que nos últimos anos está na casa dos 50%, criando gerações inteiras de pessoas qualificadas realizando trabalhos muito abaixo de sua capacidade. Provavelmente daqui alguns anos um enorme contingente de japoneses com excelente formação vai estará sub-empregado, e em vez de se impressionar com isso as pessoas irão dizer “ah, é que ele é da geração de formados de 2009 (ou 2010, 2011 e etc)”.

Enfim, deixando as críticas de lado, quero chegar na escolha do local de trabalho. Como disse, os japoneses se inscrevem em centenas de processos seletivos. Mas não são centenas de processos aleatórios, existem livros, revistas, guias com as melhores e mais populares empresas para se trabalhar, baseando-se nessas materiais e na própria imagem e reconhecimento de determinada companhia perante a sociedade os estudantes elegem suas prioridades. Essas prioridades são sempre empresas de grande porte que também disputam as melhores posições nos rankings de popularidade para atrair os melhores profissionais.

O Ranking desse ano confirma essa tendência de valorização da imagem que a empresa tem perante a sociedade. O Ranking é dividido em dois, um para a área científica e outro para a área de humanas. Na área científica o Grupo Meiji obteve pela primeira vez o primeiro lugar, enquanto na área de humanas  a agência de viagens JTB alcançou o 1º lugar pelo quinto ano consecutivo.

O grupo Meiji não só é uma das empresas do ramo alimetício mais conhecidas do Japão como tem fama de inovação nas pesquisas, o que acaba sendo atrativo para aqueles que depois de formados querem ser responsáveis pelo desenvolvimento algo novo, enfim, passa a imagem de um sujeito inovador. A JTB é muito popular pois passa essa impressão (muito importante no Japão) de uma pessoa internacional, que lida com questões internacionais.

Minha opinião pessoal, levando em consideração o nível de infantilidade dos universitários japoneses, é que existe uma enorme dose de inocência nessas escolhas, especialmente no caso da JTB (e isso se reflete também no segundo lugar, ocupado pela ANA, no terceiro pela Oriental Land). Eles acham que trabalhando ali vão viajar o mundo, lidar com pessoas de diversos países, mas a verdade é que para a grande maioria será apenas mais um trabalho burocrático dentro dos escritórios japoneses da companhia.

A imagem negativa de uma empresa naturalmente também pesa muito. A Tōkyō Denryoku (Tokyo Eletric Power) que costumava figurar entre as 10 ou 20 mais populares não ficou entre os 100 no Ranking da Mynavi. O incidente nuclear em Fukushima pesou muito para a empresa. Ninguém quer trabalhar na empresa responsabilizada por um desastre que comprometeu a vida de muitas pessoas.

* Esse post foi escrito usando bastante informação de um artigo do Mainichi Shinbun faz cerca de um mês, mas o artigo foi retirado do ar, para compensar deixo o link para o Ranking da agência Mynavi:

http://www.mynavi.jp/news/2012/03/2013_4.html

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