Um ano depois

Aproveitando o ensejo de um ano do terremoto que atingiu o Japão em março passado, acredito que, dentro da linha do blog de mostrar uma visão do país um pouco diferente daquela a que somos submetidos (e que no final das contas não passa muito do que os noticiários de lá noticiam), cabe um post sobre o tema.

Que em muitos aspectos de infraestrutura a recuperação foi impressionante, isso não podemos negar. Mas isso todos os noticiários mostram. Pontes, estradas, casas, muita coisa foi reconstruída. Que falta reconstruir muita coisa os noticiários daqui até que tem mostrado recentemente, apesar de ser o principal tema de muitos programas japoneses a muito tempo, e em um tom muito mais crítico que o nosso.

O Japão tem sido mostrado como um país que apesar das dificuldades enfrenta tudo de cabeça erguida, e, por um lado é assim mesmo, mas será que as pessoas realmente se esforçam muito sem reclamar, será que estão satisfeitas, resignadas ou tem também reclamações a fazer? A partir de uma enquente do Mainichi Shinbun com pessoas das 42 cidades mais afetadas vou tentar responder a questão.

1) As duas posturas do governo que foram mais bem avaliadas pelas cidades foram: a) suporte financeiro oferecido (realmente, são bilhões de dólares investidos e todos os custos de reconstrução estão sendo arcados pelo governo central); b) “relaxamento” de diversos regulamentos e leis e as políticas fiscais de atração de empresas por meio de um programa especial implementado para as regiões afetadas;

2) A  avaliação geral da resposta do governo à crise não é boa, mais de 50% a consideram insatisfatória, especialmente pela pela demora na tomada de decisões, seja na transmissão de informações, na criação de padrões para lidar com os indices de radiação, ou na burocracia que dificulta a aprovação dos planos de recuperação. A avaliação do governo das provincias também não é muito boa, só cerca de 1/4 consideraram boa ou satisfatória sua reação ao disastre. A principal reinvidicação das cidades é uma mudança na relação vertical entre os governos e a população, com maior atenção às reinvidicações das próprias pessoas afetadas.

3) Outro problema tem sido a realocação da população que perdeu suas casas nas regiões costeiras. Na província de Miyagi quase metade das cidades afetadas já conseguiu o consentimento da população para o plano de mudança, mas na grande maioria os planos ainda passam por ajustes. Há grande dificuldade de encontrar terrenos e avaliar seu valor, o que é essencial para a aceitação das famílias. Fukushima tem escassez de terrenos altos, protegidos contra Tsunamis, e só em duas cidades o plano foi aceito.

4) De todos os problemas para os governos locais, o que mais preocupa (cerca de 40%) ainda é a escassez de recursos financeiros. O subsídio do governo central é apenas temporário, o período de reconstrução supera em muito o período pelo qual o Estado vai oferecer a ajuda nas dimensões atuais. Para Fukushima, entretanto, o acidente nuclear ainda é a maior preocupação. A terceira preocupação mais mencionada é o limite da capacidade dos funcionários dos governos locais. Os trabalhos necessários para reconstrução exige pessoal altamente especializado que não existe em número suficiente em todas as regiões.

Não é difícil perceber que os problemas são muitos, e a grande preocupação parece ser a falta de uma solução satisfatória, de um plano que abarque não só as necessidades imediatas, mas todo o período de reconstrução. Os pontos apresentados aqui são parte da pesquisa, nos próximos posts devo continuar a explicação. Até lá, deixo o artigo do qual as informações foram retiradas:

http://mainichi.jp/select/jiken/graph/1year20120308/

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2 Respostas para “Um ano depois

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