Adotando para manter o “Family Business”

 

Estava ouvindo um podcast do freakonomics radio sobre negócio familiar. Algumas informações confirmam o que todos já imaginam, que geralmente quando o controle de uma empresa passa de geração em geração dentro da mesma família ela tem potencialmente mais chance de fracassar do que uma empresa que deixa a administração para os “profissionais”.

Muitas informações, entretanto, complementam esses fatos de forma interessante. Por exemplo, no caso dos EUA, quando o sucessor se forma em uma das 100 melhores Universidades do país, não existe diferença significativa no crescimento das companhias que deixam de ser familiares. Ou seja, havendo uma combinação de bons genes de liderança e esforço passar o negócio para os filhos não é um grande problema. A questão é que a transmissão desse tipo de material genético é bem menor do que das questões físicas, e garantir que um filho se esforce sem ter visto o esforço de construir a empresa pode ser difícil.

Na verdade, nos países desenvolvidos é raro que as companhias continuem familiares, pois as instituições estão desenvolvidas o suficiente para garantir que mesmo um sucessor fora da família cumpra o “contrato”, administrando com eficiência e se submetendo ao controle dos sócios ou acionistas. Em países subdesenvolvidos as instituições não conseguem garantir a manutenção dessa confiança, de forma que na América Latina, por exemplo, existe um grande número de empresas que se mantém dentro das famílias (e acabam sendo compradas por multinacionais, no final das contas).

Existe, entretanto, uma exceção entre os países desenvolvidos. O Japão. Lá o “family business” é muito mais comum do que em qualquer outra nação desenvolvida. Podemos pensar que é porque em um país homogêneo as características genéticas se transmitem com mais facilidade. Ou ainda que a tradição, honra e etc, que fazem parte da cultura oriental garantem que mesmo filhos menos “privilegiados” vão se esforçar para manter o bom nome da família.

Aparentemente não é bem por isso. Na verdade, o Japão é um dos países com o maior índice de adoção no mundo. Ocorre que é uma adoção um pouco diferente. 98% dos adotandos tem entre 25 e 30 anos, e o motivo disso está no próprio negócio familiar. Para garantir que negócio continue dentro da família, mantendo a confiança necessária no CEO da companhia, sem que o nome da família deixe de figurar no lugar mais alta da hierarquia da empresa, é comum que o chefe da família adote um jovem de fora, que demonstre as características de liderança necessárias para a função.

O normal é que um chefe de família que só tenha filhas, ou que tenha filhos e filhas que não são bos o suficiente para sucedê-lo arranjem o casamento da filha com esse sujeito promissor, adotando-o posteriormente, de forma que o jovem abandona o nome da família antiga e se insere completamente na nova. O Japão ainda mantém uma posição de valorização da família bastante grande, o que garante que o procedimento funcione na base da confiança. O economista que observou esse fato, indiano, disse que provavelmente em outros países, como a Índia, o adotado imediatamente iria começar a privilegiar sua família antiga tentando subjugar a nova.

Eu nunca tinha ouvid falar dessa política de adoção no Japão, e ainda estou buscando maiores informações para confirmar, mas como a fonte é confiável, fica aí um post sobre o tema.

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