Brasil ao Contrário

Depois de bastante tempo sem postar decidi escrever algo que já estava preparando a bastante tempo, que é um post que mostra certas opções e decisões dos japoneses diametralmente opostas as nossas, sem querer me manifestar a favor de uma ou outra postura tendo em vista que os contextos em que elas irão se inserir também são diametralmente opostos…

Em primeiro lugar a questão do pedágio. Aqui reclamamos não só de seus preços mas de sua própria existência. Todo mundo sabe que as estradas mantidas pelo governo são ruins mas não se conformam em pagar para usar as estradas mantidas pelas concessionárias ( diante dos impostos que os proprietários de veículos já pagam é compreensível em parte a revolta). No Japão o pedágio volta e meio também proporciona certa revolta, mas sempre que são anunciadas reduções no valor ( e olha que lá é bem caro, com a última “promoção” apenas para entrar em algumas auto estrada são cerca de 20 reais). Os argumentos se repetem, reduzindo o pedágio mais pessoas vão andar de carro, mais as vias vão se congestionar, menos pessoas vão andar de ónibus e trem, consequentemente a receita das companhias de transporte coletivo e turismo irá diminuir, diminuindo a qualidade do serviço etc… Aqui é interessante ver que a mentalidade coletivista leva a uma preocupação completamente diferente da nossa, que sempre remete a o que cada um individualmente desembolsa com impostos e pedágio. Mas é evidente que essa preocupação com o interesse coletivo existe porque existe também uma cultura de transporte coletivo, o que remete ao próximo ponto.

O brasileiro reclama bastante do transporte coletivo (na maioria das vezes com razão) e uma das grandes reclamações são os onibus ou trens lotados. Ora, no Japão os trens e onibus tabém estão sempre lotados, mas ninguem reclama. Isso pode ser interpretado como submissão de um povo que geralmente não reclama muito ou simplesmente consciência de que algumas escolhas devem ser feitas, ou se lota as ruas com carros ou se lota os trens com pessoas, ninguem pede por conforto, o objetivo é chegar do ponto A ao ponto B. Entretanto aqui dá para trazer diversos “poréns”. Lá existe bastante segurança, é possível dormir no trem, não há pessoas ouvindo musica em alto falante de celular, conversando em voz alta… Quanto aos “poréns” críticos ao brasileiro, nos falta um certo bom senso com relação a alguns detalhes, por exemplo, lá quando se entra no trem de mochila a primeira coisa a fazer é pô-la no chão ou tirar das costas e virar para frente, o que aumenta o espaço para outras pessoas, outro detalhe é que a viagem pode ser produtiva, se metade das pessoas dorme a outra metade lê (podem ser livros, jornais, até pornografia é comum), ou seja o tempo “perdido” lá dentro na verdade é ganho de outra forma.

Agora entrando num tema mais delicado, falemos de crime. O Japão está entre os 10 países mais seguros do mundo, o Brasil entre os 10 mais violentos. Agora, o que pouca gente sabe é que as leis criminais japonesas não são especialmente rigorosas. De fato, a promotoria é eficiente, 99% dos acusados são condenados, mas esse número é pouco relevante quando consideramos que: 1) Dos condenados apenas 2% vão para a cadeia; 2) Desses que vão para a cadeia mais da metade é sentenciado a menos de 1 ano de prisão. É algo para nos fazer pensar se é ânsia punitiva ou cultura e educação que fazem de um país perigoso ou seguro.

E falando desse ímpeto punitivo, enquanto nós estamos acostumados aos programas de TV pedindo a prisão de todo mundo e a revolta com alguém que á absolvido, recentemente vi o contrário no Japão. Um sujeito foi absolvido pelo juri e por um conselho formado por 3 juízes em 1º grau, acusado de tráfico de drogas. Em 2º grau ele foi condenado por uma decisão monocrática. Alguns jornais criticaram bastante a condenação, algo que acho bem pouco provável de acontecer por aqui…

Por fim, algo que já se tornou senso comum, é a forma como as autoridades japonesas lidaram com eficiência em relação a vários problemas depois do terremoto e tsunami de março. Aquela estrada que foi recuperada em 6 dias todo mundo já viu, o que me chamou a atenção foi outro ponto que está sendo trazido pelos especialistas em economia em tempos de desastre. A idéia é empregar aqueles que perderam suas casas bem como aqueles que perderam os empregos por causa do desastre nas obras de reconstrução. Considerando que a maioria dos desempregados pelo desastre são trabalhadores de escritório, em vez de colocá-los construindo prédios e estrada poderiam ser encarregados das questões de logística e etc… Enfim, enquanto muitos poderiam estar exigindo um tratamento difrenciado e mais cômodo a opção que tem recebido mais apoio é justamente colocar todo mundo para trabalhar…

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2 Respostas para “Brasil ao Contrário

  1. Boa noite. Eu gostaria de saber quantos tempo levou para você aprender a falar japonês? E parabens pelo seu blog(?)..

    • Foram aproximadamente 5 anos para atingir um nível satisfatório. O tempo varia muito de pessoa para pessoa e da situação em que cada um estuda. Alguem que vive lá pode aprender em uns 3 anos ou passar 10 anos sem aprender kanji direito. Conheço gente no Brasil que estuda a 7, 8 anos e não saiu do nível intermediário enquanto outros se tornaram fluentes.

      Abraços

      Eduardo

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