Salvem-nos da Mídia !

Para encerrar (por enquanto) os posts sobre o terremoto no Leste do Japão vou falar um pouco sobre uma entrevista que ouvi com os locutores da radio de Fukushima.

O título desse tópico é o que eles falaram literalmente durante a entrevista. A região está sem energia (eles estão sem transmitir o programa a uma semana), há falta de alimentos, falta de combustível, muita gente teve que ser evacuada da região. Enfim, a região já está seriamente comprometida e como se não bastasse a imprensa apenas piora a situação. Um primeiro problema é economico e tem a ver com a agricultura. A imprensa faz um alarde enorme para informar que existem alimentos contaminados, mas ao não passar informações precisas prejudica tanto aqueles que tiveram suas plantações afetadas como aqueles que não tiveram. Imagine o desespero de alguem que está com uma plantação saudável e não sabe se conseguirá vender pois os produtos estão com “má fama” no mercado. Imagine as pessoas que consumiram alimentos “contaminados” e pensam que estão condenadas já que a mídia faz questão de falar da radiação e “esquece” de informar que seria preciso consumir 3 tonaladas espinafre dessas plantações para que houvesse algum risco de aumentar a incidencia de cancer em 5 ou 10%. Será que a imprensa está tentando evitar um pânico maior ao não informar que a quantidade de radiação que atingiu esses alimentos é 30 vezes menor do que um simples raio x ou 100 vezes menor que a quantidade que recebemos em uma viagem de avião? Acho que não, eles apenas nem se importam com números desse gênero…

Os locutores da radio de Fukushima dizem que, apesar de todos os problemas tudo poderia estar se normalizando (evidentemente que fora da zona de risco ao redor da usina bem como nas prefeituras mais próximas) mas a mídia tem complicado a situação de todos. Eles literalmente pedem para os entrevistadores ajudarem eles dando informações precisas.

Não preciso nem que acrescentar que, conforme disse nos outros posts, em Tokyo (e todos os lugares que não foram diretamente atingidos pela tsunami) a vida continua normalmente. Há certas restrições no que diz respeito a combustíveis e racionamento de energia, mas nunca houve necessidade de pessoas fugirem da cidade ou do país como se ele estivesse condenado a destruição. Não culpo as pessoas que o fizeram, afinal, a imprensa (e infelizmente o governo de vários países) plantaou esse pânico, mas admiro os que tiveram serenidade para ficar, sabendo que o país vai precisar de muita ajuda ( e digo ajuda no sentido economico mesmo, de consumo) inclusive de estrangeiros para aguentar esse choque que tirou o páis da recuperação pós-crise.

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