ただいま!

Estou de volta ao Brasil. Antes de entrar numa fase de analizar as experiências, é hora do post “diário” para a ultima aventura da jornada, que foi a viagem a França.

Primeiramente, é preciso deixar bem claro que a experiência na França após 1 ano no Japão é completamente diferente do que seria se eu tivesse ido passar 1 semana de férias lá saindo do Brasil, logo, as impressões acabam sendo bastante peculiares.

A viagem de avião foi bastante tranquila num daqueles aviões enormes de dois andares. Chegando no aeroporto esperava alguma burocracia na alfandega, mas não houve problema alguns, não havia filas, o funcionário apenas carimbou meu passaporte sem perguntar nada ou pedir qualquer outro documento e pronto, estava em território Frances. Peguei minhas malas e na saída já encontrei minha amiga Fleur, na casa de quem eu me hospedei. Pegamos o trem até Châtele – Les Halles (que é uma estação com muitas conexões de trens). Nesse trajeto já deu pra sentir bem a diferença com o Japão. O trem e as estações são bastante sujos e as pessoas não tem aquela bondade e compreensão dos japoneses, eu estavam com duas malas de 30 kg cada mas as pessoas não fazem nem esforço para sair da frente. Além disso a maioria das pessoas tem a imagem de que em Paris todo mundo é o típico europeu mas especialmente no transporte público uns 80% das são negros em árabes.

Enfim, a partir da chegada em Châtele deixei minhas malas no carro de um amigo da Fleur e já partimos para alguns restaurantes e bares a noite. Basicamente a rotina da viagem foi essa, ir até Châtele encontrar grupos de amigos e visitar diversos lugares. Ao mesmo tempo que teve um aspecto turístico na viagem, também tive muito o contato com o que essas pessoas fariam normalmente em seus finais de semana e dias de semana. Frequentei lugares famosos mas também diversos lugares não famosos no centro de Paris assim como nos suburbios. Fazer turismo num país estrangeiro qualquer pessoa consegue (tendo dinheiro, claro haha) mas esse contato com a vida ou diversoes normais das pessoas de certo país e algo muito mais difícil de conseguir, e nesse sentido essa experiencia valeu mais do que uma simples viagem turistica.

Quanto as pessoas, sim, os franceses em geral parecem ser bastante arrogantes, estressados, esnobes e etc, mas todos aqueles a quem fui apresentado se tornam imediatamente bastante amigáveis. Não falo Frances, consegui entender um pouco do que dizem mas não o suficiente para conversar, ainda assim me senti mais a vontade do que no meio dos japoneses no Japão, com os quais consigo manter conversações, e isso porque divido os japoneses em dois grupos, um formado por pessoas extremamente infantis que se comportam de maneira envergonhante e outro grupo que é formado por pessoas que se comportam como robos, fazendo sempre as mesmas perguntas, repetindo as mesmas conversas, se relacionando com um estrangeiro como se fosse uma criatura de outro planeta (e é evidente que existem muitas exceções, mas em regra esses dois grupos eram bastante comuns). Já na França as pessoas se comportaram comigo como seres humanos, me trataram como um igual mesmo que eu não entendesse o que todos diziam, faziam brincadeiras, tiram sarro, conversam sobre coisas sérias… Enfim, um contraste grande.

Por sinal, a parte da comunicação na França foi interessante, no Japão até usava consideravelmente o ingles, na França foi 95% só Japones, isso porque a Fleur fala japones, alguns amigos dela falavam um pouco também mas o ingles deles é bastante fraco, então era mais fácil conversar ou traduzir as coisas em japones do que fazer um esforço para entender broken english frances. No fim era uma coisa engraçada, ocidentais na França conversando em japones…

Quanto a minha impressão de Paris, os pontos turísticos são muito bonitos e o resto é até bastante sujo e decadente, mas ainda assim é uma decadencia que me agrada, é uma decadencia mais imponente, antiga, diferente da decadencia de prédios velhos e periferias do Brasil. Além disso a cidade de fato parece perigosa (ainda mais depois de sair do Japão onde não existe perigo algum) mas fica só no parecer, voce pode em geral andar nas ruas e beco a noite com uma sensação de muito mais segurança do que no Brasil.

Durante 5 dias Fleur e algumas vezes o Romain (outro colega que conheci no japão) “tomaram conta” de mim me levando aos lugares, apenas no ultimo dia fui por conta própria ao Louvre, já que já estava acostumado com os sistemas de transporte e conhecendo meus amigos franceses imaginei que não teriam interesse em ir ao Museu de novo. Em verdade eu fui com um japones e a namorada dele da indonésia, mas a partir do momento que conversando com eles percebi que nunca tinham ouvido falar do Louvre, não sabiam o nome de nenhum pintor, a diferença entre grécia, roma e egito, decidi marcar um ponto de encontro e andar por conta própria no museu…

No fim aproveitei bastante, comi comidas típicas e não típicas (as não típicas incluindo bastante comida árabe e vietnamita) fiz novos amigos, reforcei a amizade com amigos que fiz no Japão… Foi tudo muito bom.

Quanto ao meu retorno ao Brasil, apesar da viagem ter sido literalmente turbulenta, ao pisar em Curitiba me senti em casa, as cores de tudo aqui são diferentes, o que me chamou a atenção é a vegetação, desde as gramas as arvores tudo tem um verde e um formato diferente do que eu lembrava haha. Estou realmente ansioso para reencontrar as pessoas, conversar, saber novidades, contar novidades, apesar de não estar nem um pouco ansioso para retornar as aulas, especialmente numa turma desconhecida num ano que promete ser bastante trabalhoso e cansativo. A partir de agora é por kinha vida em ordem e ao mesmo tempo digerir tudo que passei no ano passado. Trouxe muitas lembranças do Japão, de materiais de aula a recibo de supermercado, e com isso em mãos pretendo fazer algum tipo de scrapbook e não só por as memórias em ordem mas para refletir sobre coisas que já podem até ter sido esquecidas.

Esse retorno é o fim de uma fase do Nihongo e o início do que promete ser mais interessante, que é a reflexão de coisas mais específicas, a comparação de experiências, e também talvez seja hora de começar a escrever um pouco e sobre nihongo, afinal, passei um ano estudando o idioma e não posso deixar enferrujar.

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2 Respostas para “ただいま!

  1. Bem vindo de volta Eduardo.
    Sei que para você esse ano foi surpreendente. Pude acompanhar sua jornada pelo blog.
    Neste ano em que você esteve fora recebi um dos intercambistas aqui em casa. Sinceramente, a diferença de aproveitamento é muito grande. Conversaremos a respeito oportunamente.
    Parabéns por essa etapa cumprida em sua vida.

    Grande abraço.

    Felipe Cardoso

  2. Edu, pede umas dicas p/ a Anna sobre scrapbook. Concordo com vc, Paris é tudo e ao mesmo tempo é sujo e o povo não é nem um pouco simpático . me perdi um monte em Paris, os guardas eram estúpidos e não conseguiam dar as informações necessárias! Pretendo voltar, tentar mais uma vez, afinal, o mundo fala de Paris!!! Mas adorei o Louvre, porque lá, ninguém precisava dizer nada, era só olhar e pronto!
    Combine com a tua mãe, vamos nos encontrar??? bjs

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