Dívida Pública, mais política, advogados, praia…

No post de hoje vou falar sobre três assuntos que tenho acompanhado nos noticiários (agora que finalmente consigo entendê-los) que são para mim de certa forma uma reminiscência do Brasil…

O Japão tem uma dívida pública de 10.55 trilhões de dólares. Sim, é um valor absurdamente alto. Enquanto no Brasil a gente já se indigna (com razão) de uma dívida que não chega nem a um trilhão de dólares aqui eles sofrem com mais de 10, que representa 189% do PIB do país. É a segunda maior dívida publica do mundo, perdendo apenas para o Zimbabue. E muita gente se pergunta (inclusive os japones) como o país não quebrou até agora, porque países como a Grécia, com dívidas muito menores se encontram em situações tão piores. Existem muitos fatores envolvidos, mas a grande diferença é que enquanto países como a Grécia emprestavam dinheiro de fora o Japão empresta dinheiro dos próprios bancos, já que estes possuem reservas muito grandes. Mesmo com essas reservas enormes especialistas calculam que nesse ritmo em 15 ou 20 anos os bancos não teram mais condições de bancar os gastos do governo, e o país vai quebrar. E de onde vem esses gastos todos? Principalmente do Setor de Infraestrutura, já que para se ter a estrutura de transporte, energia e etc que eles possuem por aqui é preciso gastar muito dinheiro. Desde que o novo primeiro mnistro assumiu o governo se fala em diversas medidas para conter o aumento de gastos e aumentar a arrecadação de impostos. A medida mais polêmica seria o aumento da imposto de consumo de 5% para 10%, entretanto especialistas toda semana demonstram como esse aumento é insuficiente e como, pelo contrário, reduzir impostos que incidem sobre as pessoas jurídicas e que representam mais de 35% do faturamento delas geraria empregos, aqueceria a economia…Mas a política por aqui não é sempre racional.

E falando na política, desde que o partido democrata perdeu muitas cadeiras no última eleição a situação do primeiro ministro Naoto Kan ficou complicada não só na definição das políticas como na própria disputa de poder interno no partido. Logo serão realizadas as eleições internas no partido democrático (民主党) e já estão formadas duas coalizões sendo que a de Ozawa Ichiro por enquanto possui apoio da maioria. É possível que Ozawa esteja planejando, se vencer, substituir Naoto Kan, o que tem gerado algumas polêmicas, não só porque seria mais uma mundança de primeiro ministro com menos de um ano no cargo, mas porque Ozawa esteve envolvido em alguns escandalos financeiros no ano passado, mas não foi punido. A sensação de que Ozawa não possui qualificações para o cargo nesse momento foi expressada inclusive no editorial do Asahi Shinbun hoje.

Falando de escandalos financeiros, os advogados japoneses tem dado uma espécia de golpe que aparece muito nos noticários ( e isso que lá o mercado é ainda mais restrito, o exame de ordem é mais difícil, só pode ser prestado 3 vezes e o número de vagas anuais é limitada, um verdadeiro concurso para o qual as pessoas estudam anos antes de prestar, o que aparentemente daria um pouco mais de seriedade aos profissionais, especialmente porque depois de aprovados fazem estágio remunerado por mais dois anos, aprendendo o ofício na prática, após o aprendizado teórico dos bancos acadêmicos). Primeiramento acho interessante lembrar que enquanto no Brasil os advogados não podem fazer publicidade aqui na TV, nos trens, nas ruas existem propagandas de escritório. Com a crise que o país passa muita gente fez empréstimos a juros altos e ficou impossibilitada tanto de pagar como de conseguir novos financiamentos, por exemplo, nesse cenário apareceram muitas propagandas de escritórios que se propõe a conseguir a redução dos juros bem como devolução do que foi pago indevidamente (eu mesmo já vi vários desses panfletos enormes nos trens). Ocorre que isso é feito geralmente por escritórios grandes, em que nem se quer há contato pessoal, tudo é feito pelo telefone e por funcionários dos escritórios que nem sequer são advogados (o que a princípio gerou críticas da, digamos assim, Ordem dos Advogados daqui no que se refere a ética do procedimento). Além eles cobram uma pequena entrada e dizem que o pagamento estará incluso no valor que eles pretendem recuperar. Meses depois enviam uma carta para a pessoa dizendo que tiveram sucesso, que recuperaram, por exemplo, 40 mil yens, mas como tinha se proposto a negociar 150 mil os honorários eram calculados nesse valor, de forma que ficam em 50 mil. Ou seja, a pessoa não só não recebe nada como tem que pagar um porcentagem absurda. E tem mais, com a crise muitas financeiras demitiram funcionários, que foram contratados por esses escritórios, tem know-how em negociação de dividas e conseguem recuperar valores altos, mas os escritórios mentem e dizem que o sucesso foi parcial. Enfim, picaretagem de advogado pelo jeito é em qualquer lugar do mundo (mas eu prometo que vou ser honesto haha, até porque tive exemplos de gente correta como o Dr. Reinaldo, Dr. Marcelo, Drª Karina, Drª Giovanna).

E pra terminar, para não dizer que só falo de coisa ruim, fui para Kamakura essa semana, visittei templos, fiz uma trilha numa montanha no meio da cidade que terminava na praia, que por sinal foi bem interessante, foi a água mais quente que já vi em uma praia, não só naquela parte rasa como no meio do mar. Enfim, essa praia japonesa foi uma surpresa agradável (até porque não esperava encontrá-la no fim da trilha).

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2 Respostas para “Dívida Pública, mais política, advogados, praia…

  1. Gostei do artigo e vim agradecer suas palavras, como sempre, muito bem colocadas. Meu abraço fraterno.

  2. Eu li tudo, eu juro!!! /o/

    Oi, eu sei, faz tempo desde o meu último comentário aqui! Mas já tirei o atraso e li todos os artigos que faltavam! o/ É que muita coisa andou acontecendo, vou até escrever um e-mail contando… -^.^-

    Estar no Japão deve permitir ter uma visão diferente da política aí, não é? Uma coisa é ouvir daqui as notícias, outra coisa é estar aí, vivendo a coisa toda…
    E para variar, suas análises continuam impecáveis…

    Bom, vou mandar o e-mail lá! o/

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