Kyoto

Retornei de viagem ontem e vou contar agora um pouco sobre como foi.

Eu e o DongHyun embarcamos no onibus com direção a Kyoto na estação de Tokyo as 21:30. Como sempre eu entrei no onibus, fechei os olhos e só acordei as 6:00 da manhã quando estavamos chegando. Logo de cara já senti que a atmosfera da cidade é muito diferente, não só pelos tipos das construções (quase não há prédios altos) mas até mesmo pelo cheiro diferente, talvez de madeira… Passeamos um pouco pelo centro da cidade e as 8h pegamos o onibus para Demachiyanagi onde fica a Guest House onde iriamos passar a semana. Como o check-in é apenas as 15h deixamos as mochilas lá a já partimos para explorar a região. Decidimos ir a pé até o Ginkakuji que é o templo do Pavilhão de Prata (em oposição ao templo do Pavilhão Dourado, em que fomos outro dia), de lá seguimos a pé pela Tetsugaku no Michi (a Rua da Filosofia, chamada assim pois um famoso filósofo da Universidade de Kyoto caminhava ali todos os dias) visitando todos os templos budistas e santuários shintoistas no caminho. Pegamos então um onibus até Kitano Tenmangu, onde havia por perto um restaurante famoso por seu Udon único, então comemos por lá e depois seguimos explorando os pontos turisticos da região.

Saindo dos detalhes, basicamente essa foi a rotina nos 7 dias em que ficamos por lá, saímos cedo da Guest House com uma região da cidade em mente, pegavamos onibus até lá e seguiamos a pé vistitando pontos turisticos (basicamente templos e santuários) e comendo em restaurantes famosos por servir algum prato exclusivo. O plano era visitar Kyoto, Nara, Osaka, Himeji e talvez mais algum lugar, mas no fim Kyoto tinha tantos lugares interessantes que acabamos ficando por lá passando um dia em Nara (40km) em meio dia em Osaka.

A viagem foi muito boa, conseguimos ir a todos os lugares planjeados, o tempo estava muito bom (na verdade muito quente, mas para longas caminhadas muito melhor do que chuva), e na verdade demos sorte porque ontem hoje um tufão atingiu cidade 🙂

Todos os locais foram em geral muito interessantes então vou fazer comentários não necessariamente sobre os melhores, mas sobre os que me surgirem agora na cabeça haha. Em geral o Kinkakuji (de ouro) é melhor cotado que o Ginkakuji (que nem de prata é na verdade), mas na minha opinião o jardim em torno deste é muito mais bonito do que aquele, entretanto isso se deu provavelmente porque o Kinkakuji é um local especialmente bonito no outono. Dos templos talvez o que tenha me impressionado mais foi o Sanjusangendo. Construído em 1164 possui 1001 estátuas da Deusa Kannon e uma do desu dos raios, uma do deus do vento e 28 outras divindades budistas. O que mais me interessou foram essas 28 divindades, esculpidas de um jeito muito realista e em geral bastante ameaçadoras, os olhos feitos de cristal davam uma impressão ainda mais real aos olhares e eu achei dificil de encarar algumas, quase como se fosse levar um soco (já que algumas realmente estavam em posição de dar soco haha).

No templo Ryoanji está um dos mais famosos jardins de pedras do Japão. Minha primeira reação foi “Não sei se vale a pena pagar 500 yen para ver pedras” (por sinal, quase todos os templos custam 500 para se visistar, então foi bastante dinheiro só para pagar entrada). Ao olhar para aquele jardim que ainda por cima é bem menor que a maioria achei que fosse uma perda de tempo, mas decidi sentar e ficar olhando, e a verdade é que depois de um tempo eu percebi como olhar para aquilo ajuda a pensar, não diria que é por causa de alguma calma mística, mas justamente porque, sabendo que existe algo para se pensar ali a mente começa a fazer relações, começa a interpretar naturalmente o que significaria cada elemente que compõe o jardim. No meu caso, se deixo minha cabeça começar a fazer relações consigo me perder por um longo tempo em pensamentos…

Dentre os santuários shintoistas sem duvida Fushimi Inari é o mais interessante. Todos são em geral muito parecidos, mas esse é especial, são cerca de 10 mil Torii (aqueles portais velmelhos) formando um caminho que dá a volta na montanha. Levou cerca de 2h para andar em tudo. Aqui uma coincidencia interessante aconteceu. No meio da subida encontrei um colega da Universidade que retorna para Cingapura esse mês. Na verdade a coincidencia é muito grande considerando alguns fatores. 1) De todas as pessoas da minha sala ele foi a unica com quem tive alguma amizade; 2) Ele já deixou o dormitório então não tinhamos entrado em contato ou combinado qualquer coisa; 3) Ele está viajando por todo o país, então de todos os lugares do Japão estavamos no mesmo dia na mesma cidade, e mais, numa cidade com dezenas de pontos turisticos fomos no mesmo, e na mesma hora, e mais, considerando o tamanho do local é bem possível de marcar se encontrar com alguem e nem conseguir achar a pessoa. Enfim, foi interessante.

A residencia do Shogun, Nijo-jo também é um local bastante interessante para quem gosta de história, eu particularmente gosto desses locais em que voce sabe exatamente que determinada pessoa morou ou passou por ali. Isso é um aspecto muito bom em Kyoto, se voce conhece a história do Japão, quase qualquer lugar dá essa sensação pois mesmo nas ruas onde não há nada de especial encontra-se algum monumento dizendo que tal pessoa matou não sei quem ali, ou tal casa era um restaurante que certa pessoa frequentava. É realmente um lugar onde se respira história, e é uma sensação muito diferente ir em templos com mais de 1000 anos.

Arashiyama foi outra experiencia diferente, é mais distante da cidade e a natureza ali é muito bonita. Fomos em em parque em uma montanha onde há dezenas de macacos a solta, e particularmente eu me divirto só de ficar vendo as coisas que eles aprontam, é uma sensação estranha ver animais se comportando quase como humanos, e mais estranho ainda interagir com eles…

Nara também tem esse elemento de natureza. A cidade é habitada por centenas de veados (sem duplo sentido) que ficam andando pelo parque e até em algumas ruas. O principal templo da cidade é muito grande, me impressionei mesmo depois de ter visto a maioria de Kyoto. Dentro dele também está a segunda maior estátua de Buda do mundo.

De lugares menos famosos fui também ao Pinheiro Solitário de Ichijoji, onde diz a lenda que Musashi realizou o terceiro combate com o clã Yoshioka. Isso me lembra uma reflexão que a cidade me trouxe. A fama dos samurais no Japão é completamente Taiga Dorama do ano (seriado de época exibido na NHK com episódios todo domingo, cada ano sobre um personagem diferente). 5, 6, 7 anos atrás Musashi era muito popular como figura histórica/ mítica, pois o seriado sobre sua vida foi exibido na TV, e junto com isso vem todos os documentários, livros e etc. Hoje quando se fala o nome dele a grande maioria dos japoneses pensa no personagem do manga Vagabond e não na figura histórica, no personagem da série, no personagem do romance de Eiji Yoshikawa. Da mesma forma tem muita coisa sobre o Shinsengumi na cidade (como placas e indicações) datando de uns 5, 6 anos pois em 2004 foi exibido uma série sobre o grupo (um “bando”, em sua maioria de não-samurais que policiou Kyoto no bakumatsu protegendo o Shogun contra aqueles que queriam restaurar o poder do imperador).  Hoje, com o seriado sobre Ryoma Sakamoto tem todo tipo de informações sobre ele, pacotes turisticos para seguir seus passos, comidas e etc…

Me sinto mal por não falar de cada lugar que fui especificamente, não contar cada coisa que fiz e cada particularidade cotidiana, mas esse não é objetivo agora, talvez posteriormente faça posts tratando de cada um dos locais, de cada restaurante, principalmente considerando que nessa uma semana visitei praticamente tudo na cidade. O que queria deixar mais claro são essas sensações de viajar para um lugar histórico, de poder andar por tudo a pé, sem grupos incomodando, de levar o meu tempo para ver cada coisa, de sentir os locais, de não me preocupar com dinheiro para comer (sou muito pão duro mas confesso que lá as vezes nem olhava os preços das coisas). Enfim, foi uma viagem em que eu pude relaxar bastante, mesmo sempre em movimento. Foi uma viagem em que deu para sentir bastante o clima de estar em outro local, e de aproveitar tudo  sem qualquer outra preocupação….

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2 Respostas para “Kyoto

  1. Bom dia Eduardo.
    Encontrei o seu blog pois estava pesquisando sobre o programa supermemo…. encontrei os seus métodos de estudo e acabei lendo os seus outros posts.
    Me desculpe por voltar a falar sobre um post anterior mas, vc chegou a utilizar o supermemo? Será que o anki serveria para a área de exatas? (faço Eng. Elétrica na UFPR)
    Um abraço e continue enviando suas impressões sobre sua viagem.

    • Bom, eu cheguei a usar o supermemo e não me adaptei, definitivamente é um ótimo programa mas a interface é mais complicada e ele tem alguns bugs que por menores que sejam atrapalham um pouco. O anki é bastante simples de usar, e nessas horas acredito que o mais importante é um programa que não de nenhuma dor de cabeça…

      Acredito que o anki pode ser útil sim na área de exatas. Qualquer coisa que precise ser memorizada, qualquer coisa que dependa de repetição para ser internalizada pode ter bons resultados no anki. Com certeza a área de exatas depende muito do raciocínio do sujeito, mas o raciocínio depende em boa parte das ferramentas que temos para processá-lo. Fórmulas, teorias, conceitos, “macetes”, tudo isso pode ser melhor aprendido com o anki.

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