Monte Fuji e Hanabi no Rio Sumida

O Blog acabou ficando abandonado nos ultimos dias pois, apesar de estar de férias os dias tem sido bastante corridos (talvez não corridos, mas tenho estado ocupado de qualquer forma, sempre indo para Tokyo ou algum lugar fora de Hachioji), especialmente com a escalada do Monte Fuji e preparativos para a viagem a Kansai. E é sobre isso que vou escrever hoje.

A melhor época para subir o Monte Fuji é o verão, por isso várias pessoas do alojamento começaram a ir para lá na metade de julho. A princípio eu iria no grupo do dia 17, mas como estavam muito desorganizados eu e meus colegas australianos decidimos esperar um pouco. Já naquele final de semana a Marisa (americana filha de Tailandeses) começou preparativos para escalar a montanha (na verdade vulcão) na noite do dia 27, de forma que chegássemos ao topo a tempo de ver o sol nascendo.  Com os lugares no onibus reservados não tinha mais volta, então compramos mochilas, luvas, lanternas, suprimentos… No dia 27 saímos de Hachioji em um grupo de 7 pessoas: Eu, Nick, Chris, Yamada (da Coréia), Marisa, Ksenya (Russia) e Hiko (Cingapura). Fomos até Nishi-Hachioji, de onde pegamos um onibus que nos levou até a Highway, onde esperamos por 1h o ônibus que iria nos levar. Daqui até o Monte Fuji foram quase 2h de ônibus, mas desde a metade do caminho já dava para ver as formas ameaçadoras do Vulcão de 3776 metros de altura (35ª maior montanha do mundo).

Saímos de uma temperatura de 36 graus para chegar lá já com vinte e poucos, mas eu não havia percebido o drama que seria o frio no alto… De qualquer forma, chegando lá seguimos por algum tempo até a estação nº5 onde compramos cajado de escalada (ao menos eu chamo assim), garrafas de oxigenio e cartões postais. Tivemos sorte que no dia anterior o tempo na região estava meio feio, mas naquele dia estava completamente aberto, e com a Lua cheia o caminho ficava não só mais bonito como mais iluminado. Entretanto, havia uma tempestade de raios se aproximando (que era muito bonita para falar a verdade) então nos apressamos porque ninguem queria estar abaixo do nível das nuvens quando aquilo chegasse muito perto. A informação que nos deram é que a subida durava 7 horas, então iniciamos as 20h a jornada

O início da escalada ainda é no meio de vegetação, mas logo após a sexta estação se tornou uma enorme ladeira em ziguizague, cheia de pedrinhas de forma que a cada dois passos você volta um escorregando, depois da ladeira se torna uma espécie de escadaria de pedra, que é ainda pior. Aquele ponto foi muito entediante, mesmo com o céu estrelado, a lua cheia, a paisagem interessante. Nesse ponto o grupo já havia se separado, eu na frente com Nick e Yamada e o Chris e as garotas ficaram para trás. Na sétima estação decidimos esperar por eles (já estávamos com 25 minutos de vantagame nesse ponto) para pegar uma garrafa de oxigênio e seguir para o topo mais rápido. Da sétima para a oitava estação ficou um pouco mais interessante, o caminho se torna de rochas bastante ingrimes em certo ponto, o que ao menos é mais divertido do que ficar subindo uma ladeira ou escadas. Nesse ponto começamos a encontrar os grupos que tinham iniciado a subida antes, em geral 15 a 20 pessoas com 2 guias. A maioria desses grupos era de idosos, e eles são muito rápidos, apesar de ultrapassarmos eles como o Yamada estava dando sinais de cansaço parávamos para espera-lo, e logo os grupos de idosos chegavam perto…

Nessa altura eu ainda não estava cansado mas o Nick e o Yamada começaram a ir mais devagar, nossa política de paradas era a seguinte: Quando o Yamada sumia de vista esperávamos até ele aparecer, e quando ele chegava esperávamos até começar a sentir frio. A partir da oitava estação eu me distanciei dos dois, mas decidi esperar, e apesar do Nick logo ter aparecido o Yamada estava demorando muito então decidi voltar para ver o que tinha acontecido. A lanterna dele havia quebrado então estava avançando muito devagar, além disso ele não havia comprado cajado e estava carregando nossa bolsa térmica de comida. Peguei a bolsa e avancei por algum tempo com ele. A partir da oitava estação volta a ser muita ladeira, muita “escada” e alguns poucos pontos de escalada, então novamente se tornou entediante. Não senti problemas com a falta de oxigênio mas os outros começaram a ficar tontos, então diminuí um pouco o ritmo. Após uma escadaria bastante casativa decidimos parar após um portal de madeira pois havia um paredão de pedra para nos proteger do frio, ficamos lá por 20 minutos e quando avançamos novamente descobrimos que aquele já era o topo. Logo, levamos 5h e 30 minutos para chegar lá em cima, o que não foi uma boa coisa pois estava um frio absurdo e uma ventania insuportável (sensação térmica de menos de -10 C° pelo que comentaram na estação do topo), de forma que fui até a cratera do vulcão, muito bonita, cheia de gelo mas não consegui nem tirar minhas mãos para pegar a câmera.  O outro grupo chegou 1h e meia depois de nós, e ainda ficamos mais 3 horas esperando o sol nascer, uma espera terrível, pois ninguem estava preparado para aquele frio (geralmente não é tão frio mas havia uma frente fria chegando) tanto que na metade do nascer do sol eu desisti de tirar fotos e coloquei minhas mãos no bolso de novo.

Terminado o nascer do sol comi os sanduiches que havia preparado, além de chocolate enquanto as garotas compraram cup noodles ao valor absurdo de 900 yen (uns 18 reais). Estava tão frio que desistimos de ir ao correio do topo da montanha para enviar cartões postais e iniciamos a descida, que conseguiu ser ainda pior que a subida. Logo no início todos, inclusive eu se sentiram enjoados por causa da altitude, mas felizmente eu ainda possuía um red bull, e na hora pareceu fazer sentido beber, e realmente me deu imediatamente forças (e asas). A descida consiste em uma infinita ladeira de pedras vermelhas e pó em que voce vai escorregando, no início até parecia divertido, 1h depois, sem nem chegar na oitava estação todo mundo já queria pular da montanha para chegar mais rápido. Mas nesse ponto percebemos que uma das garotas havia sumido, e como todos estavam muito cansados menos eu, lá fui eu subir de novo em busca dela. O que havia acontecido é que ela escorregou e machucou o joelho, então daquele ponto em diante dividimos a bagagem dela e seguimos aquele caminho infinito por mais 4 horas. No momento que chegamos no ponto do nosso onibus o Monte Fuji havia sumido entre as nuvens, e eu fiquei com pena de quem iria subir naquela noite…

Retornamos são e salvos a Hachioji às 2h da tarde, com apenas um ferido, todos completamente cobertos de pó. vulcanico, e como uma sensação de que aquela escalada era muito trabalhosa e entendiante e não compensava a beleza da vista (e o nascer do sol foi meio decepcionante, o sol é muito pequeno). Tomei banho, dormi umas 4 horas e já estava me sentindo recuperado, mas os outros dormiram até a manhã seguinte. Hoje eu sinto que vale a pena sim, mas ainda fica uma sensação de que é muito overrated.

No sábado após subir o monte Fuji fui ao Festival de Fogos de Artifício do rio sumida (隅田川花火大会), o maior do Japão. Chegando em Asakusa já não era possível andar até o rio sumida, cada passo demorava 1 minutos de tanta gente. Mais de 50 quarteirões da cidade foram fechados para o evento, que reunião cerca de 1 milhão de pessoas. Os fogos eram lançados de dois pontos diferentes do rio e duraram 1 hora e meia initerruptamente. Apesar de ser alguns de cada vez é uma quantidade enorme, especialmente considerando que geralmente fogos de Reveillon, por exemplo, duram só 15 minutos. O mais interessante são os tipos de fogos, uma variedade enorme, formando figuras, dando profundidade as imagens, alguns após estourar uma vez cada parte estourava mais vezes, outros se aceleravam, freiavam, mudavam de direção. Foi muito interessante, mas 1 milhão de pessoas em um pequeno espaço estraga um ppuco da festa, ao menos para mim. Pelo menos por ser verão, uns 50% dos japoneses e japonesas estavam de yukata (roupa parecida com kimono), o que deu um ambiente interessante a festa.

Esse foi um post bastante longo, mas como hoje viajo para Kyoto para fazer um tour de mais de uma semana por Kansai vou demorar para postar novamente. Espero que tenha gostado das aventuras das ultimas semanas 🙂

Anúncios

9 Respostas para “Monte Fuji e Hanabi no Rio Sumida

  1. Sensacional, melhor post até aqui.

    Sugestão: extenda o texto, inclua uma cena em que vocês descobrem ossadas e mude o final pra algo mais alegre, que dá pra submeter pra coleção vaga-lume ou algum congênere nipônico. É sério, sua narrativa é muito boa, piá.

    E uma pergunta: com diabos tem um correio no topo do monte Fuji? É o mesmo correio que é dono dos bancos e, nesse caso é possível fazer um pagamento lá, ou é só uma coruja e um gigante barbudo que se encarregam das encomendas?

  2. Não posso crer que tem correio lá…acho que é um duende do Fuji e depois que eles pagam o selo ele engole as cartas…

  3. Nossa, eu tava pensando muito nessa coisa de escalar o fuji essa semana hahaha. vc diz que é um pouco d+ pela vista, mas mesmo assim, vale subri só p/ dizer que foi hahaha. Ano que vem eu quero ir…tb pq acho que esse ano já nao vai dar mais.
    Então, desculpa não ter comentado muito ultimamente, mas é que várias coisas aconteceram… Outra coisa que queria falar é, dia 29 do mes que vem to por ai já.

  4. Edu, muito legal a narrativa! imagino que vc vai sentir que o passeio valeu muito, mas só daqui a um tempo! Acho que ainda vai querer voltar, para concluir a jornada, ou seja: ir até a agência do correio!!!!!!!!!!!!!

  5. Minha irmã é uma otimista!! Puta programa de indio um urbanóide [ser nascido e criado em uma grande cidade] como você foi arrumar, é so pra ter o que contar.
    Parece que o ultimo turista a descer carrega o malote do correio para uma agencia no pé do Monte Fuji. Ainda bem que não foste o ultimo a descer.

  6. Faz sentido a teoria do Cid, quanto a ser o último turista a levar o malote!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  7. Olá, Eduardo!

    Ogenki desu ka.
    Watashi wa burajirujindesu.
    Hajimemashite!
    Watashi wa daigakusei to nihongo wo benkyoshimasu.

    Hahaha…coitada de mim! Tô fazendo Kumon e ainda tô no nível C, que deve ser um básico indo pro intermediário.

    Não sou descendente de japoneses e minha mãe e eu somos bastante curiosas quanto a cultura japonesa, motivo esse que nos fez ir atrás de aprender essa língua. Nós amamos nihongo!

    Mande-me um email, vamos manter contato! O seu blog é o mais legal que eu encontrei desses que falam da vida no Japão.

    Quantos anos você tem? O que estuda? Há quanto tempo está aí? Gostaria muito que mantivéssemos contato pois tenho vontade de ir para o Japão e de saber mais com alguém que esteja aí.

    Abraços,

    Bia.

  8. Eduardo, accompanho seu blog há algum tempo e acho seus textos interessantes seja sobre a sua experiência no Japão ou sobre o idioma, além das críticas. Estou interessada em entrevistá-lo na web rádio (www.radioanimix.com.br) em que sou membro para você contar, justamente, essa experiência ao vivo.
    Então, se estiver interessado ou quiser entender melhor a proposta, entra em contato pelo email que informei no cadastro dos comentários.
    Desde já, obrigada pela atenção e os seus textos são ótimos!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s