Como eu estudo – Parte 3 – Anki e Nihongo

Devido a semanas de provas esse post acabou atrasando um pouco, mas chegou a hora de finalizar a trilogia do Anki explicando como eu uso para estudar Nihongo.

A princípio o Anki surgiu para mim como uma forma de melhorar meu conhecimento de Kanji, e foi nesse aspecto que foquei a princípio. Decidi começar criando um Deck relacionado apenas a livro Remembering the Kanji, que se baseia em uma idéia interessante. Os kanjis “funcionam” mais ou menos da seguinte forma, cada ideograma tem um significado (as vezes mais de um, mas em geral semelhantes) e mais de uma leitura (algumas vezes duas, algumas vezes mais de 4). Geralmente se estuda Kanji aprendendo a ler, escrever (a ordem correta dos traços também é muito importante) e compreender o significado, ou seja, cada kanji contém uma grande quantidade de informação a ser decorada. Considerando que para ler um jornal em geral é preciso conhecer entre 1500 e 2000 kanjis, dá para imaginar o trabalho. Votando a idéia do livro, o autor sugere que se decore apenas um significado de cada kanji e como escrever, nada de leituras e significados diferentes. E o significado vai ser aprendido a partir de uma “história”, que seria uma espécie de frase que explicaria o kanji com base em seus elementos. Por exemplo, o kanji 書 significa “escrever”, é composto de duas partes, a de cima lembra o kanji de “pincel” 筆 e a de baixo é o kanji “dia” 日, logo uma história possível seria “É melhor usar o pincel para escrever durante o dia”.

Enfim, seguindo essa idéia geral criei mais de 2000 cartas nesse estilo, o que me deu uma familiaridade muito grande com kanji, apesar de não saber as leituras da maioria ao menos ficaria bem mais fácil de lembrar os significados e a forma de escrever. De qualquer forma, foi uma opção minha criar esse tipo de carta com a intenção de testar o anki, alguns meses depois abandonei o deck e parti para o uso mais sério.

O segundo Deck, onde surgiu meu modelo definitivo de carta segue algumas premissas. Em primeiro lugar, eu não adiciono palavras isoladas para relembrar a leitura ou significado de kanjis, ou simplesmente para lembrar vocabulário. Todas as cartas que crio são frases. Os motivo é simples, a frase não apenas contém muito mais elementos do que o mero vocabulário como ainda ensina a utilizar de forma adequada gramaticalmente, revela o contexto em que a palavra pode ser utilizada e consequentemente contem construções gramaticais. Pensando no idioma portugues, imagine um estrangeiro que aprenda a palavra “gostar”, por si só a palavra acaba sendo inútil já que sem uma frase de exemplo ele não saberá que esse verbo deve ser seguid por “de”.

Outra vantagem das frases é que, como disse em um post anterior, o Anki, por ser uma revisão diária as vezes pesada, deve ser divertido, não só para que seja suportável revisar todo dia mas para que se torne mais eficiente. É muito mais fácil lembrar determinado vocabulário ou construção gramatical dentro de uma frase engraçada, interessante,letra de música ou dentro de um diálogo de algum filme ou livro que você goste. Isso porque além de aprender como usar existe o incentivo de querer aprender, de querer saber usar aquilo, seja por sua utilidade seja pela afinidade com a expressão.

Então resumindo a vantagem do uso de frases no anki teremos: Uma frase em japonês irá conter vocabulário, kanji, gramática, o correto uso de todos esses elementos e o incentivo de querer revisar, de querer lembrar. No quesito compreensão de texto é muito bom pois aprende-se a ter familiaridade com sentenças corretas no idioma. No que diz respeito ao uso da lingua para se comunicar é muito bom pois ao se decorar determinados padrões não é preciso ficar pensando em como usar gramática cada vez que se abre a boca para falar algo, não é necessário construir uma frase mas apenas usar alguma que já se sabe e trocar as palavras para dar o sentido desejado. Quanto ao Kanji, é excelente para aprender as leituras, e quando se escreve o kanji ao fazer as revisões é possível fazer o estudo completo do ideograma.

Assim como no uso para o Direito, em Japonês as frases também devem ser curtas, e talvez a parte mais importante na criação das cartas seja a busca pelas frases corretas. Em primeiro lugar é preciso evitar frases de livros didáticos básicos e intermediários, já que o interesse no uso do Anki nesse caso é aprender o idioma, e todos sabemos que boa parte das frases de livros didáticos são gramaticalmente corretas mas não soam naturais. O estudo da gramática e da linguística de um idioma pode ser feito com mais eficiência fora do Anki, ele é muito mais propício para internalizar esse conhecimento e tornar possível seu uso. É melhor decorar como um personagem em filme, anime ou livro se apresenta para um novo amigo, ou em uma situação formal real do que criar uma carta dizendo “Olá, como vai? Meu nome é Eduardo, tenho 22 anos, muito prazer em te conhecer”…

Enfim, essa é a base do meu uso do Anki, tem muitos outros detalhes que aprendi pesquisando e tentando, mas acho que o melhor é parar por aqui, e esperar quem tiver interesse tentar se orientar por essa base. Se houverem dúvidas perguntem que eu responderei, se eu lembrar de algum outro assunto relevante criarei um post específico para o tema. Depois de mais de 3 meses aqui tive muito tempo para pensar em algumas peculiaridades do idioma que talvez sejam mais interessantes do que métodos, e ainda existem alguns pedidos de post que estão pendentes, logo, a trilogia do Anki fica por aqui.

Para quem tiver interesse, me baseei nos seguintes sites para desenvolver esse método:

AJATT

http://www.antimoon.com/

http://www.supermemo.com/

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15 Respostas para “Como eu estudo – Parte 3 – Anki e Nihongo

  1. Mais uma ótima postagem, Eduardo.

    Estava com dificuldade para utilizar o Anki com meus estudos de idioma. Usei a sua dica de inserir frases (ainda deixo, embaixo, o vocabulário), funcionou muito bem. Já estou adaptando meus decks.
    Outro ponto interessante foi o de utilizar frases de livros mais avançados, ou mesmo de obras originais, tem ajudado.

  2. Muito bom, o Anki realmente é uma ajuda muito bem vinda aos meus estudos.

    Se não for pedir demais, você poderia disponibilizar seu deck? Dá muito trabalho montar um deck realmente bom, se um só com os kanas já demorou bastante imagine um com kanjis e frases de exemplo.

    Parabéns pelo blog, continue o bom trabalho que está fazendo.

    • Bom, como eu disse em posts anteriores, a parte mais importante do anki é justamente buscar as próprias frases e montar o próprio Deck. Dessa forma, se eu disponibilizar o meu deck aqui estaria incentivando justamente o contrário. Logo infelizmente tenho que recusar o pedido.

      Desculpe e obrigado pelos elogios 🙂

      • Tudo bem, mesmo assim muito obrigado. O verdadeiro problema não é montar o deck, mas sim achar conteúdo para tal. Você conhece algum site que contenha algum conteúdo sobre isso em português? Pelo jeito vou ter que me virar no inglês, já que quase não existe material em português na internet.

  3. Olá Eduardo,

    Ótimo bolg e posts. Eu também uso o Anki, por enquanto para o estudo do inglês e em breve para o japonês. Por enquanto queria falar sobre o japonês.

    Eu também lí o Ajatt e estou estudando o método Heisig, só que por enquanto estou usando o site reviewing the kanji para criar as histórias.

    Após essa etapa o Ajatt recomenda que peguemos sentenças de animes, mangas, filmes, revistas etc. Nessa parte não ficou claro pra mim se essas setenças devemos pegar também na sequência do Heisig ou se após estudá-lo, pegamos as setenças de forma aleatória. Como você fez?
    Valeu!
    Rodrigo.

    • As sentenças são coletadas de forma aleatória, de preferência junto com o Heisig. O problema é que o Heisig dá uma idéia muito, muuuito vaga só dos Kanjis, apesar do que o Ajatt recomenda, eu aconselho você a buscar uma boa base gramatical. Só a análise das sentenças no Anki não é o suficiente para deduzir as regras do idioma.

      Abraços

      Eduardo

  4. Li os três posts com bastante calma, mas uma coisa não ficou muito clara: os cards que você incluiu foram do tipo “preencha as lacunas”, certo? Então não tinha tradução, nem leitura no verso, só a resposta?Como você sabia que a leitura e o significado estavam certos?
    Outras dúvidas: em que você se baseava na criação da frase? Escolhia um kanji e criava uma frase pra cada leitura? Ou escolhia por palavra?
    Estou estudando pro JLPT N4, então ainda não tenho muito conhecimento gramatical. Que tipo de frase você sugeriria? Eu pensei em usar as frases dos exercícios do jogo “Tadashii kanji kakitori kun”, mas como sou bem iniciante, não sei distinguir o que é muito fácil ou muito difícil; se é robótico ou natural… Não sei se fui clara o suficiente. espero que possa me ajudar. Obrigada.

    • Então, para nihongo eu não faço preencha as lacunas porque o tempo que esse processo demanda nunca me pareceu compensar o acréscimo de aprendizado. O que eu faço é escrever ou colar uma frase e colocar em um deck com modelo de carta padrão japonês do Anki, que gera automaticamente a leitura dos kanjis. Na época em que escrevi esse post o modelo vinha embutido no anki normal, mas agora é um plug-in que precisa ser instalado para fazer essa tradução automática da leitura. Vou ver se escrevo um tutorial essa semana.

      Na criação das frases, faço o seguinte. Quando usava o Heisig não aprendia nenhuma leitura, só significado. Fora do Heisig, eu geralmente não trabalho com kanjis específicos, e sim com frases de interesse. Como no JLPT é preciso saber um conjunto específico de kanjis, eu aprendia as palavras que podiam cair na prova. Ou seja, não selecionava um kanji e buscava frases com as leituras, mas buscava as palavras que utilizam aquelas leitura e que aparecem nas provas e colocava frases com elas. (não sei se ficou claro)

      Por fim, sugiro as frases do dicionário do yahoo.jp tendo em vista que o site é confiável, as frases são em geral realistas e qualquer palavra que você coloque lá terá muitos exemplos. Quando não aparece no yahoo, jogo no google e copio do site mais confiável que aparecer (de preferências sites de jornais).

  5. Obrigada pela resposta. Entendi tudo e aguardarei ansiosamente pelo tutorial. Só me resta uma pergunta: onde você encontrou os exemplos no dicionário do Yahoo Japan? Eu imaginei que encontraria lá, mas nada que eu escrevia tinha exemplos. Só definições. Se pudesse me explicar eu agradeceria. De repente não estou sabendo procurar.

    • É só fazer a busca com a caixa 和英 marcada em vez de 辞書検索, os exemplos vão aparecer.

  6. olá,li em outro post seu que voçê colocou toda a cf em seu anki, queria saber se tu revisava ela todo dia?

    • Para a prova da OAB eu revisava o deck da constituição todo dia, mas vendo 30 cartas novas, se não me engano.

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