Algumas verdades sobre o Japão

Não sei se quando as pessoas vem para cá ficam deslumbradas demais para observar a realidade, ou ficam pouco tempo para conseguir desfazer o senso comum que automaticamente acompanha a palavra Japão, mas o fato é que muita coisa do que dizem sobre o país não é verdade. Talvez a maioria simplesmente não tenha interesse em observar coisas diferentes, mas como eu tenho, vou fazer esse post bem curto apenas para listar algumas coisas que geralmente ninguém diz, ou que geralmente dizem o contrário.

1) O Japão tem mendigos, não tanto com o Brasil, obviamente, mas eu diria que a cada dia vejo mais, tanto no centro de Tokyo como em Hachioji.

2) Os eletrônicos não são muito baratos. Comparativamente falando, em relação ao Brasil são, mas considerando que hoje temos acesso a internet para comprar qualquer coisa, os valores não variam muito com relação ao que se acharia na rede.

3) Os japoneses não são tão frios como dizem. Talvez sejam um pouco mais desconfiados, mas não acho que sejam mais frios do que as pessoas de Curitiba, diria até que são mais calorosos, sorriem mais, reagem com mais empolgação aos estímulos externos haha. Mesmo assim sei que talvez não sejam reações muito genuínas, não que sejam falsos, mas é o jeito deles esconder o que pensam ou esconder o que sentem, e mascarar isso com certa indiferença as vezes, mas muitas vezes com bastante “alegria”.

4) Eles não tem muito respeito no transito. Além de os carros passarem muito no sinal vermelho não existe grande respeito pelo pedestre. Também buzinam bastante, ou seja, a paciência oriental está em baixa.

5) Isso todo mundo diz, mas as pessoas geralmente ignoram: Os japoneses adoram pachinko, que são máquinas bizarras de jogos de azar. E quando digo que adoram, é além dos limites. Esses estabelecimentos estão por toda parte, o centro de Hachioji é repleto desses lugares, que ainda por cima são enormes. Os bairros de Tokyo também estão cheios, e dentro está sempre lotado. Pelo que tenho ouvido falar aqui, um dos problemas mais sérios na sociedade é que os japoneses gostam muito de apostar. Corrida de cavalo também é outro problema hehe.

6) O Japão é muito limpo, mas tem mais lugares mais cuidados do que eu imaginava. Acho que é a mesma coisa em todo lugar, se você é um turista vai nos lugares mais abertos, bonitos ou famosos, nas grandes lojas, nos melhores restaurantes… Mas se você está aqui a algum tempo e começa a entrar nas ruas estreitas, visitar lugares menos conhecidos começa a ver sujeira e bagunça. Algumas lojas me lembram muito o Paraguai, são um amontoado de produtos espalhados em prateleiras com espaços super estreitos para se locomover, geralmente são locais que parecem estar caindo aos pedaços, ou que não são muito bem cuidados.

Para manter o post mais curto paro por aqui. Só quero ressaltar que, se for fazer uma comparação com o Brasil, por exemplo, claro que é tudo muuuito mais limpo, existe mais respeito, organização e etc, mas acho que geralmente todo mundo fala tanto das diferenças que fazem aqui um lugar melhor que esquecem de falar dos aspectos negativos, ou mesmo acabam exagerando em certos aspectos, passando uma imagem de perfeição, acho que eu teria gostado de ouvir sobre os defeitos do Japão quando estava no Brasil, então acho que esse aqui será o primeiro de uma série de posts. Vejam bem que não estou reclamando, mas eu realmente acho interessante mostrar o “o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta”.

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14 Respostas para “Algumas verdades sobre o Japão

  1. Eduardo, seu myth-breaker!

    Muito bons os últimos posts, particularmente aquele sobre as diferenças do modo de raciocinar entre línguas/culturas, coisa e tal. Eu nunca dei muito crédito pras civilizações orientais (certo, pode parar de ler aqui) e com a sua confirmação de que eles têm um pensamento simplório, conservador, subsmisso e coletivista (your words, not mine), perdi completamente o respeito, hahaha!

    Em tempo, procure por aí o livro novo do David Mitchell (de Cloud Atlas), “The Thousand Autumns of Jacob de Zoet”. A premissa é bem bacana, é sobre um holandês no Japão do final do séc. XVIII vivendo altas aventuras e curtindo todas com sua turminha — e lá se foi a descrição. Eu ainda não li, mas a minha filha no. 3 leu e achou muito bom.

    Saudações. (Ah, e o que achou do final de Lost?)

  2. Caro Eduardo. Você está desmascarando os japoneses. hahaha.
    Mas você tem razão em tudo. O problema social do Pachinko eu já ouvia desde criança. Japoneses têm problemas com jogos.
    Grande abraço.

    • É algo que eu tinha ouvido falar mesmo, já tinha visto na TV inclusive, mas eu não canso de me impressionar com a quantidade absurda de Pachinko por aqui. Em uma das aulas estavamos estudando quais são as condições que as pessoas estabelecem para se casar por aqui ( e isso pode render um post quem sabe), para as mulheres, em quinto lugar vinha “o homem não pode apostar nem jogar pachinko”…

  3. Interessante expôr seu ponto de vista sobre o lado menos comentado do Jp. hehe
    Sério q vc viu mendigos em Hachioji? Até hj eu só vi uma vez (em Asakusa ou Ryogoku, não lembro) e eram discretos, mal percebi q eram mendigos. Diferente do Brasil eles não podem pedir dinheiro, né?! E mtos se vestem bem, pq têm emprego, mas não conseguem mais pagar a moradia e, logo, acabam perdendo o emprego tb, já q ninguém quer um empregado sujo. >.< É uma cena cada vez mais comum no mundo todo, né?! Acho q isso não é mto comentado pq ainda é mto recente, se comparado com países de terceiro mundo.
    É, tem eletrônicos q nem compensa comprar aqui, o meu note, por exemplo, não saiu mto caro no Brasil se comparado aos daqui, já q os aparelhos aqui são potentes e, consequentemente, mais caros. Eu só queria um básico, então comprar no Br foi melhor! hehe Mas câmera eu acho q é mais barato aqui. A minha foi uns 250 reais, fazendo uma conversão simples. O mesmo modelo e marca no Br sai uns 700 (numa loja autorizada, não na Santa Efigênia, haha).
    Sobre o pachinko eu acho o mesmo! E fico até meio atordoada qdo entro em lugares assim… é assustador a cara de viciado do apostador…
    Eu achei os japoneses mais calorosos do q falam. Mtas vezes são mais alegres do q eu poderia imaginar. Acho complicado falar em "falsidade" pq na verdade acredito q seja mais complexo. Boa parte do q se considera "tatemae" acho q é tão enraizado q não se pensa mto antes de agir, por isso pode parecer q a pessoa fez só por educação e tal, mas não quer dizer q ela não quis fazer aquilo "de coração". Mas sobre isso acho q ainda não tive convívio suficiente com os japoneses pra comentar.
    E sobre o trânsito, ainda não pude presenciar mto do q vc comentou. Passar em sinal vermelho acho q só vi uma ou duas vezes e a buzina eu até me perguntei se existia mesmo pq nunca ouvi. hehe Devo ter saído só em horários mais tranquilos. hehe Sabe q eu fiquei tão confiante nos motoristas q nem olho pra atravessar qdo o semáforo está aberto para pedestres? Isso é perigoso!!!! Tenho q tomar mais cuidado!!
    Bom, se cuida, e feliz aniversário de novo! hehe

    • Quanto aos mendigos, já vi alguns em Hachioji bem mendigões mesmo, tem um que dorme todo dia no parquinho perto de Keio Hachioji, inclusive. Quanto aos outros, tem vários em ikebukuro, shinjuku, asakusa, sumida… realmente alguns são discretos, mas alguns chamam bastante atenção.
      Já os eletronicos, realmente, camera é algo que compensa muito, mas minha maior decepção foi com cartão sd, pen drive, achei que seria muito barato e acab que é muito caro.
      Já sobre a falsidade, sei que não é a melhor palavra, mas várias vezes já me disseram “ah, voce é que nem japones, não fale o que acha de verdade”, ou seja, a partir do momento que eles sabem que são assim acho que parte do que era apenas enraizado na cultura passa a ser algo usado conscientenmente, mas de fato, não creio que essa seja a regra.
      Por fim, sobre o transito, eu vejo direto aquela furada clássica de sinal em que o carro acelera logo que o sinal fica vermelho, e sobre buzina, até que ouço bastante em Hachioji no trevo aqui perto do Hoyu Ryo, mas voce tem que ver Tokyo em dia de semana em horário de pico, não vou dizer que é exagerado, mas eles são bem impacientes especialmente com taxistas.
      Bom, é isso, interessante ver que as opiniões sobre o mesmo lugar podem ser bem parecidas em alguns pontos e bem diferentes em outros, acho que é porque eu fico procurando defeito só para poder falar no blog haha.

  4. Oi Eduardo =D

    Li esse teu último post agora a pouco, e acabei lembrando de um vídeo no youtube que fala exatamente sobre isso: algumas coisas “estranhas” sobre o Japão. Adorei o vídeo e ele mostra algumas verdades que normalmente não ouvimos e são relativamente chocantes.

    ^^ Espero que tu gostes também!

    Beijos,
    Gabi

  5. Mendigo é um elemento urbano.
    A voz da mulher do vídeo do comentário acima é quase tão chata quanto o próprio vídeo.
    E eu estou maligna porque sinto saudades de você.

  6. Eu também acho curioso esse lado oculto dos lugares…quando eu morava com meus tio eu também reparava em muitas coisas e lugares desse tipo. Ah…eu estava pensando…não foi ou vai ser seu aniversário? Eu lembro que era mais ou menos nessa época, desculpa que eu esqueci o dia…estou me sentindo super mal por isso=(de qualquer forma, Feliz Aniversário! Posso te entregar seu presente daqui 4 meses?
    o/

  7. eu acho muito legal você darem esse feedback pro eduardo. assim ele vai continuar postando e postando… e eu lendo e lendo… ahaha tô gostando muito de conhecer o japão através daqui. mas infelizmente não tenho muito a acrescentar. nunca morei fora. mas vou continuar lendo. abraço

  8. “o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta”, e olha os economistas contaminando o pensamento das pessoas, hehehe!
    Ok, a gente já escuta sobre a fama do pachinko, mas se você chegou a se surpreender com a quantidade de estabelecimentos desses por aí, então deve ser realmente mais assustador do que parece. -o.õ-
    E mais triste ainda é a questão do trânsito… poxa, eu ainda sonho com um Japão exemplo de organização suprema, linhas retas, regras definidas… /o/ Destruiu meu sonho. /o/

  9. Hey, sei que estou chata hoje, comentando um monte, mas… -^.^’- Lembrei de algo que queria perguntar…
    E sobre música? Eu gosto bastante de J-rock, e já sei por exemplo que as bandas que o pessoal costuma ouvir aqui nem sempre são as mais famosas no Japão…
    A pergunta é… e será que J-rock é “popular” no próprio Japão? O que as pessoas mais escutam nas rádios por aí? J-Pop, música “ocidental”, hip hop??

  10. Não conheço muito sobre o Japão, mas acredito que seja muito fácil encontrar em qualquer lugar do mundo pessoas mais colorosas que os Curitibanos.

  11. Realmente o lado oculto do Japão…rssrr
    O mais perfeito não é tão perfeito quando se morar lá …kkkk

    • Escrevi esse post em 2010, desde então não li. Tenho o projeto de rever os textos antigos e escrever novos sobre o mesmo tema, reformando minha antiga opinião, ou confirmando ela. Esse é com certeza um dos principais a serem revistos 🙂

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